15 outubro, 2013

Os professores e uma analogia


Hoje, dia dos professores, fiquei pensando sobre como essa profissão é pouco valorizada no Brasil. Daí me veio à mente que em nosso país as pessoas costumam não dar a devida importância também às mulheres que vivem exclusivamente para cuidar dos filhos e do lar. Onde quero chegar? Concluí que as condições de professor e dona de casa/mãe exigem sentimentos, investimentos e condutas semelhantes: paciência, jornada de mais de oito horas diárias, dedicação que ultrapassa a fronteira técnica, doação intensa pelo bem e crescimento de outrem, transmissão de conhecimento e, em paralelo, absorção.

Educar, seja em casa ou fora dela, tem a ver com vocação e respeito ao próximo. Não basta passar instruções, orientações, ensinamentos. É preciso lidar com a complexa matéria humana, um novelo de fraquezas, deficiências, necessidades, virtudes e defeitos, peculiaridades, traumas. Trabalhar harmonizando tudo isso tem extremo valor. Educadores ajudam no caminho, dão a base, o fundamento. Lamento que no Brasil o professor seja mal remunerado e a dona de casa seja vista como a mulher “sofrida”, a “coitada”.

Se teoricamente ambas as condições levam à execução de tarefas possíveis para qualquer pessoa, digo que estou falando aqui de excelência: há mães e há mães de verdade, assim como se dá com professores. Nem todos os métodos são válidos para todos, filhos ou alunos, tanto faz. E só aqueles que têm a sensibilidade para perceber isso podem educar com maestria.

A cultura brasileira ainda não permite que as pessoas entendam, com profundidade, a nobreza dessas duas condições. Sem um lar estruturado e sem educação de qualidade não se formam indivíduos realmente preparados para a vida. Mesmo assim, muita gente vive de não reconhecer a relevância daquilo que, no fundo, é incapaz de encarar. Afinal, o amor traduzido em serviço e que tudo tolera não está em todos.


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