21 agosto, 2013

Tempos memoráveis


Hoje fui surpreendida por meu primo Gabriel. Ele postou nas redes sociais uma foto antiga de meus tios e meu pai em um momento de descontração. Todos os finais de semana eles e suas famílias - incluindo a minha pessoa, a minha irmã do meio e minha mãe – batiam ponto no restaurante Oceania, na Barra. Sempre tinha violão, brincadeiras, causos. Para mim e Paty, a diversão era o sorvete de nata goiaba com uma bolinha de chiclete no final. Bem, essa foto e uma pequena e paralela troca de carinhos “internéticos” com Paty me inspiraram a escrever sobre algumas memórias da infância...

1. Em dia de passeio, eu e Paty passávamos a maior parte do caminho acenando para todos os motoristas que passavam. Viradas para o vidro traseiro do carro, comemorávamos cada retorno recebido.

2. Meu pai passava quase todo o tempo na praia cavando piscina na areia para a gente brincar. Era também ele quem sofria ao fazermos das suas pernas uma escorregadeira!

3. Minha mãe fazia com a gente uma brincadeira tenebrosa! Hoje eu acho graça, mas naquela época... Ao preparar o almoço, ela pegava a cabeça da galinha (sim, os frangos vinham inteiros) e corria atrás da gente pela casa. O que se ouvia era um sonoro “pára, mainha!”.

4. Todo domingo tinha almoço na casa de Tio “Fada”. Lá tinha piscina, canário cantando na gaiola, assobio, Cocadinha Baiana e, claro, o saco bolha que ficava na cômoda do quarto – a gente insistia em estourar as bolhinhas, mesmo com as reclamações de Tia Lua.

5. Eu ia para o ballet ouvindo a Voz do Brasil no rádio. Meu pai não imagina o castigo que era aquilo...

6. Por falar em castigo, quando eu ficava no “quartinho” (quarto de empregada do apartamento), sempre escolhia uma boneca pequenininha para desabafar. Havia no local um armário repleto de brinquedos e eu ficava ali proibida de pegar qualquer um deles. Tortura! rs

7. Paty e eu brincávamos muito de Barbie juntas. Certa vez, para emprestar o Atari (vídeo game jurássico) ao nosso primo Antônio Paulo, obrigamos o pobre a fazer o papel do Ken. O pior é que a trama demorava de acabar. Tadinho...

8. Detestava quando minha mãe dava banho de água doce em mim e Paty na praia e fazia-nos ir sem roupa até o carro.As pessoas olhavam a gente passar e riam.

9. Eu era muito vaidosa. Minha mãe sabia disso e quando ia para rua sempre trazia uma pulseira, um colar, um brinco ou um enfeite de cabelo. O problema é que eu não gostava de repeti-los.

10. Eu e Paty adorávamos fazer novela para Tia Lua e nossa prima Priscila. Elas assistiam e se acabavam de rir com nossas dramatizações.

11. Minha mãe estendia uma colcha de retalhos no jardim do prédio e a gente fazia piquenique e tomava banho de mangueira.

12. Ganhar uma caixa de lápis Faber Castell 36 cores foi o sonho! Até que uma amiga do prédio teimou que o lápis rosa choque era dela. Diante do escândalo que ela fazia no Playground fui obrigada a dar o lápis pra ela.

13. Depois de Paty, Amanda, nove anos e meio mais nova que eu, foi a minha segunda vítima. Sempre amassei as bochechas, apertei, e beijei as duas, como se fosse a própria Felícia (personagem de desenho infantil), e ainda dizia que queria aproveitá-las. Claro que elas protestavam! Vale ressaltar que essa minha conduta ainda está em vigor, faço tudo isso hoje com o meu sobrinho – ele corresponde!!! Tudo que eu sempre quis (RS)!

Bem, esse post praticamente não teria fim se eu não interrompesse agora a linha de pensamento – vem uma lembrança atrás da outra, sem pausa. Há poucos meses li uma matéria sobre psicologia que explicava o seguinte: lembramos das situações que despertaram emoções em nós, tenham sido elas boas ou não. O que eu sei é que todo mundo tem seus traumas e suas alegrias. No final, além das lembranças, ficam os laços que criamos e o que aprendemos ao longo da vida. Sou feliz. E tenho aprendido a cada dia a descartar o que pesa.

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