06 dezembro, 2012

Fim de espetáculo

Vazio. Assim é agora o palco que esteve repleto de cores, brilhos, luz e som. Ali, por onde tantos sorrisos, (até) infortúnios, expressões, pés e corpos passaram, resta uma saudade – vestida de cansaço e nostalgia.

Ficaram as marcas físicas: fotografias, machucados, dores... Ficaram as marcas no coração: lembranças e a vontade de ter tudo outra vez...

O espetáculo acabou, mas deixa o que os bastidores revelam - vivências além de ensaios e trocas de figurino. Nas coxias, o elenco experimenta o sentimento de solidariedade mútua e cria laços. Tudo começa naquele lugar, o espaço confidente atrás das cortinas, e se estende e se desvenda na arena, diante do público, que espera por unidade e beleza.

Hoje o dia amanhece assim, sem aplausos, sem a bagunça organizada das bailarinas, sem as sapatilhas, sem a maquiagem borrada pelo suor, e com muita saudade. Uma saudade que dói um pouco e compraz a alma de quem viveu muitas horas por um momento de encanto.


Ingrid Dragone


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