29 abril, 2012

O valor de um nunca

Nunca, nunca deixe que a poesia da vida se vá, assim como aquela folha que passa diante dos seus olhos entoada pelo vento. Sinta, diga que ama, abrace. Esqueça o seu pensamento sobre as coisas que não merecem, sequer, um segundo da sua atenção. E às que merecem, dedique o seu amor, o máximo de você... sem esperar em troca.

Nunca, nunca deseje que um momento da sua vida se vá, assim como aquele trem que corre sobre os trilhos de um destino conhecido por você. Acima da sua vontade há um céu inteiro e tantos mistérios que não se explicam e não se revelam. Você nada sabe... falo de um propósito maior, longe do alcance de qualquer ser humano.

Nunca, nunca permita que a pessoa que você é fique em você, assim como aquela raiz profunda, fincada numa terra imóvel, dura, seca. Viva a renovação. A plenitude brota em quem lança fora o seu próprio mal, sem apego, sem medo de ser diferente do que sempre foi. Sempre ter sido não significa o melhor que você pode ser.

Nunca, nunca permaneça em seu lugar diante de palavras eternas, assim como aquele que sente frio, mas não tece o agasalho, mesmo tendo as linhas e agulhas nas mãos. Internalize e faça a semeadura. Valem os sorrisos, o bem, a canção, o coração disposto.


Ingrid Dragone

13 abril, 2012

Paradigmas

Quando alguém te aconselhar a quebrar paradigmas, cuidado... Provavelmente o discurso vai dar a impressão de que você terá benefícios com isso. O conselheiro, de maneira consciente ou não, pode induzir você ao erro. O problema é que o conceito comum de quebra de paradigmas costuma ter relação com rebeldia e sentimentos que nos impelem a afrontar, para o bem ou para o mal. Hoje tenho outra visão sobre a quebra de paradigmas.

A diferença não está mais em ser rebelde; na atualidade todo mundo acha bonito ser rebelde. Quebrar paradigmas é ser tranquilo, obediente, amoroso. É escolher a luta contra o “eu”, contra o desejo de ser o centro de todas as coisas, contra a valorização dos nossos “instintos”, contra tudo aquilo que nos leva a priorizar a imagem de pessoa orgulhosa, cheia de razão e direitos, que não “leva desaforo pra casa”, que não “engole sapo”, que “ganha a briga”. Para mim, quebrar paradigmas é optar pela sabedoria, pela compaixão. É nadar contra a correnteza desse mundo que se instala e traz as ideias de concorrência, violência física e verbal, todas dignas de misericórdia, mas comumente usadas como armas para a sobrevivência.

Se disserem por aí que devo me vingar dos meus inimigos, eu oro por eles. Se disserem que devo reagir às agressões da mesma forma, eu silencio ou respondo com amor. Se disserem que devo ignorar quem me trata mal, eu fico à disposição quando for preciso. Se disserem que devo amar a mim mesma antes de amar aos outros, eu amo primeiro a Deus - e Ele quer que amemos ao próximo como a nós mesmos. Às vezes (quase sempre) é muito difícil, e eu tento. Trata-se de um exercício cotidiano de matar em mim o que, de fato, não deveria estar em mim. E, aos pouco, vou lapidando o meu caráter, buscando me assemelhar a Cristo, não por acaso, o homem que dividiu a humanidade em antes e depois dele.


Ingrid Dragone