22 novembro, 2011

Dona de coisa alguma

Hoje é terça-feira, 22 de novembro, e mais uma vez reflito (e agora escrevendo) sobre uma verdade incontestável. Não questiono, não rejeito o que penso, não entro em desespero, e sei: EU sou um nada! Um nada! Não tenho o controle das situações, não mando no tempo (cronológico ou climático), não sei o que acontecerá comigo no próximo segundo. Não digo que devo viver sem planejar, mas quero ser mais humilde, admitir que eu, embora habitada por pretensões e vontades, sou dona de coisa alguma. Nem do meu nariz.

E que meada desenrolou esse fio de pensamento? Neste final de semana, estive em Itacaré, Sul da Bahia. Fiz uma trilha, naveguei sobre o Rio de Contas, tomei banho na Cachoeira do Cleandro, e tive a oportunidade de subir até um belíssimo mirante natural, o da Prainha, de onde foi possível avistar um mar lindo e sem tamanho. E cada vez que tenho um contato mais íntimo com a natureza (como também aconteceu, no mês de junho, no passeio à Serra Gaúcha) fico estarrecida com a grandiosidade de Deus, com a exuberância de tudo que Ele criou e faz acontecer.

Eu, naquela trilha, uma reserva de Mata Atlântica, era apenas um ser humano transpondo os obstáculos do caminho; troncos, plantas com autodefesa, insetos, pedras escorregadias, lama... Todos esses elementos, desenhados por Deus, ali estavam porque Ele quis, porque Ele assim os fez, com suas formas, aromas, finalidades e belezas. Se, por acaso, eu me machucasse, seria apenas mais uma pessoa, só uma pessoa, a cair. E tudo continuaria da mesma maneira, no mesmo lugar, se fosse o desejo de Deus. As nuvens sobre minha cabeça, as rochas emoldurando a paisagem e as árvores fincadas na terra, mesmo que o meu sangue tingisse o trajeto, mesmo que sangrasse muito. Deus tem seus propósitos.

Antes, durante e depois da viagem fiz minhas orações. Pedi orações. A previsão era de chuva. Ela caiu, porque Deus quis, mas caiu de leve, quando eu nem precisava que fizesse sol. Deus permitiu. Eu fiquei agradecida. E se chovesse muito, e eu não pudesse fazer nenhum dos passeios que fiz, ainda assim precisaria agradecer: posso ver a chuva descer do céu. Posso ouvir os pingos sendo aparados pela vegetação. Tenho pernas para correr da chuva. Tenho abrigo. Quero viver agradecendo. Sempre.

Hoje é terça-feira, 22 de novembro. Deus é.


Ingrid Dragone

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