14 julho, 2011

Salvador: falta civilização

Outro dia, saindo do bairro da Boca do Rio, fui surpreendida com uma cena surreal. Fiquei envergonhada de morar em Salvador. Vi um grupo de homens de sunga, em um bar, tomando banho de cerveja. Detalhe: chovia. Penso que aquelas pessoas refletiam não só um desejo inusitado de diversão, mas a falta de educação típica das populações que habitam regiões cheias de desigualdades sociais. Essa falta de educação é cultural, pode-se dizer. Parece que a capital baiana ainda está entrando numa rota de civilização...

Fico indignada com o atendimento de baixa qualidade oferecido nas lojas e restaurantes; quando vejo passageiros jogando lixo pelas janelas do ônibus (uma vez presenciei um cara lançando um cachorro-quente!); com o descarte de entulho dos “carretos” em áreas inadequadas; com o som alto que inúmeros condutores de veículos insistem em emitir, sem preocupação com o descanso de pessoas doentes, crianças, idosos e trabalhadores. Esses poucos exemplos bastam para que eu, não raro, sinta vontade de morar em outra cidade.

Com a fama de terra litorânea, repleta de belezas naturais, Salvador acaba conferindo um estigma aos seus habitantes, um ar “largado”, de gente alegre e “folgada”. Não digo que todos vestem essa imagem, acredito mesmo que estamos carentes de instrução, de educação, na escola e em casa, e que esse contexto enraíza hábitos e tradições que em nada contribuem para o desenvolvimento intelecto-comportamental de um povo.

O soteropolitano precisa entender o valor de cuidar de cada canto da cidade, pois lugares públicos são de todos, inclusive, dele. Precisa aprender que respeitar o espaço dos outros e ser gentil é bonito, admirável e garante o bem-estar de toda sociedade. Precisa compreender que preservar origens não exclui incorporar as boas “influências” de fora. Precisa tratar bem os nativos, e não somente os turistas, para fidelizar e alimentar o amor do soteropolitano pelo soteropolitano. O soteropolitano precisa enxergar que tem a faca e o queijo na mão, mas ainda passa fome e corta o dedo.


Ingrid Dragone