27 setembro, 2010

A Praça e os Policiais

A Praça estava rica de crianças, cores e sons de alegria. Era sábado pela manhã e o dia corria ensolarado, com um inacreditável céu azul sem nuvens. E, destoando de tudo, dois policiais militares fincados no gramado - com as mãos nas armas -, como que de sobreaviso, à espera, à espreita. Estranhamento... O paradoxo apagou um pouco o meu ânimo. Por que o cenário de comédia romântica precisava ser descontinuado por uma cena tão fora de lugar? Parecia que havia um erro grave no script.

Eu não queria ter ferido meus olhos com aquela imagem fardada. Os homens armados não combinavam com a menina que andava de velotrol. Nem com o cachorrinho que passeava preso à coleira. Nem com o senhor que fazia cooper. Nem com o casal que tomava sorvete.

Andei até o meu carro olhando para os lados. Queria e não queria entender o que talvez estivesse acontecendo ou na iminência. Voltei para casa pensativa e sabia que um dia escreveria sobre isso. Porque não consigo ser alheia à tristeza que se alastra por esse mundo, por essa cidade, por essa praça.


Ingrid Dragone