06 abril, 2010

Um caso Isabella

Gritos, mãos lançadas ao alto e fogos de artifício. Poderia ser a comemoração pelo placar de um jogo de futebol, mas foi a manifestação dos brasileiros diante do resultado de um dos julgamentos mais esperados do país. Finalmente o casal Nardoni foi condenado pelo assassinato da menina Isabella. E o motivo de tamanho contentamento?

O crime e as circunstâncias que o envolvem estiveram durante meses em nossos pensamentos, diante dos nossos olhos, às mesas, nas conversas de escritório e de bar. A mídia, diversas vezes criticada pela insistência no assunto, criou uma comoção nacional em torno da tragédia. Era impossível nos desligarmos. De alguma forma, enxergávamos naquela criança um pouco de cada uma das crianças que conhecemos, sentíamos a dor daquela mãe e, sem termos dúvidas sobre a culpa dos acusados, até especulávamos sobre como eles imaginavam a sua vida a partir dali – não porque estivessem arrependidos pela morte da menina, mas pelo problema que criaram para si mesmos.

Nossos corações estavam incomodados e a justiça era uma maneira de minimizar um pouco a indignação. E agora, com a sentença proferida, nos resta acompanhar os assassinos saírem da cadeia em pouco tempo? Sabemos como são as leis por aqui...

E também sabemos que pessoas morrem todos os dias. A todo tempo. Em todo lugar. Muitos crimes ficam sem solução. Muita gente, impune. Muitos casos acontecem nos confins do mundo, onde não há televisão ou jornal, onde não existe, sequer, lei ou quem julgue os criminosos. Quantas Isabellas já tiveram a vida ceifada pelas mãos de seus próprios pais? Vigiemos nossos passos, nossas aflições.


Ingrid Dragone

2 comentários:

sandro caldas disse...

Oi, Ingrid!
Penso que a verdadeira Justiça, com "J" maiúsculo, jamais será feita. A mãe sente-se aliviada, pq os assassinos mereciam a prisão, mas em breve (14 anos, por aí) eles estarão nas ruas, vivendo suas vidas, namorando outras pessoas, e talvez convertidos em alguma religão que os salvará do inferno.
Bjssssssss!

INGRID DRAGONE disse...

Realmente, Sandro... É de lamentar...