18 novembro, 2009

TV de lixo

Ensinam os comunicólogos que as emissoras televisivas foram forçadas a melhorar suas programações para equipará-las aos anúncios publicitários, cada vez mais bem feitos e criativos. Óbvio, é o anunciante que sustenta qualquer meio de comunicação. Só não sei em que parte do caminho essa “condição” da programação de qualidade se perdeu: temos uma tv de lixo.

A “novela das 8h”, por exemplo, tem o sexo e a traição como foco. Um rapaz sente atração pela namorada do irmão; homens casados traem suas esposas (com desconhecidas, conhecidas e com parentes delas), e elas também dão o troco; a menina virgem é criticada pela própria irmã; há também a mulher que se comporta promiscuamente e tem uma filha pequena, que cresce achando tudo isso normal.

Um outro programa mostra o relacionamento “divertido” de uma garota com dois namorados. Ela é bonita, cheia de personalidade, engraçada e feliz. Os problemas não são provenientes do triângulo amoroso – muito harmonioso, por sinal -, mas da falta de grana e até da tpm da protagonista. São aventuras, como numa revista de histórias em quadrinhos, com formato diferenciado e voltada para os jovens. Quantas adolescentes não devem estar se encantando com esse estilo de vida?

É lógico que essas produções, assim como os programas de auditório que exploram a sexualidade ou a imagem da mulher-objeto, refletem a sociedade em que vivemos. Contudo, não se pode negar que se trata de uma pista de mão dupla. Estão no ar porque têm audiência (o “público gosta”) e também porque apresentam todas as “distorções” de maneira muito simpática. Os personagens são carismáticos e/ou bonitos, conquistando o telespectador.

Não posso ser hipócrita e afirmar que não assisto televisão. Sou formada em comunicação e tenho que saber o que se passa. Entretanto, não cultivo o hábito. E quando vejo “coisas” (sim, esses programas são “coisas”) desse tipo sinto menos vontade ainda de assistir. Prefiro ler um livro, pegar um filme na locadora, ler a bíblia, fazer pesquisas na internet, escrever, conversar...

Antes que alguém diga que sou chata e careta, quero pontuar que esse texto não é um protesto contra a emissora A ou B. Ele tem o intuito de gerar uma reflexão: pensemos com o que temos ocupado o nosso tempo!



Ingrid Dragone

2 comentários:

Anônimo disse...

Ingrid,
Na TV à Cabo, tem muitas coisas interessantes. Porém, ainda prefiro o dialogo, a conversa os bate papos.
As relações sociais, na atualidade, são muito influenciadas pelas tecnologias de comunicação. Se não tivermos cuidados, nos aculturaremos por leituras de manchetes, e não por conteúdo. Isso muito ruim para nossas demandas culturais e afetivas.
Abs
Francisco

INGRID DRAGONE disse...

Verdade, Francisco. Inclusive, as mesas de bate papo acabam sendo quase sempre superficiais, por conta das fontes de informações que temos.