02 novembro, 2009

Falta Deus no coração

Às vezes fico triste pensando no quanto falta Deus no coração das pessoas. A cada dia, a cada minuto me deparo com situações lamentáveis. E não é preciso que se fale aqui de um ato muito grave, como um homicídio, por exemplo. Pequenas atitudes do cotidiano refletem essa ausência.

Voltando do trabalho há cerca de vinte dias, às 20:11 – foi tão marcante que lembro o horário exato – fui acuada no trânsito por um motorista de caminhão-guincho da empresa Porto Seguro. Ele andava na pista de ônibus e dirigia com muita pressa. Querendo passar na minha frente, o homem começou a me fechar, jogando o veículo bruscamente. Com receio de que ele batesse na minha lateral, buzinei. Ele buzinou em resposta. Buzinei novamente. Daí ele afundou a mão na buzina. Não satisfeito, foi para trás do meu carro, colocou luz alta e assim manteve os faróis até se deslocar para a outra pista. Eu não enxergava nada e essa foi a pior parte da história... Depois ainda me xingou de alguma coisa que não consegui ouvir.

Não deu para anotar a placa do veículo que ele guiava. Achei que ele merecia tomar uma advertência do seu gerente pelo comportamento agressivo. Já pode ter feito isso com outras pessoas ou poderá voltar a fazer, provocando um acidente.

Cheguei a ligar para a seguradora no dia seguinte para fazer a queixa. Embora não tivesse o número da placa, sabia que seria impossível a Porto Seguro ter mais de um caminhão-guincho circulando na Av. Bonocô, sentido Iguatemi, naquela hora. Soma-se a isso o fato da empresa dispor de GPS - segundo a informação de funcionários de lá - o que, com certeza, levaria à identificação do motorista.

Quando fiz a reclamação ocorreu “aquela” situação básica: passaram a minha ligação de atendente a atendente e nada resolveram. Expliquei que não queria nada em troca, só comunicar o que aconteceu, como uma medida preventiva. Argumentei que estava fazendo um favor para eles, já que os colaboradores de uma empresa representam a imagem dela na sociedade. Dei os dados do ocorrido para a quinta, sexta, sei lá, pessoa que falou comigo. Ficaram de me ligar, dar um retorno. Quem se importou?

Para mim, agora, tanto faz. Até me pergunto se deveria mesmo ter feito a reclamação. Será que ele seria duramente penalizado? Como eu me sentiria se recebesse a notícia, por exemplo, de que ele foi despedido? Como ficaria a vida dele? Não posso imaginar que circunstâncias o levaram a se comportar daquela maneira...

É por essas e outras que devemos nos situar a cada instante e tentar agir como Jesus agia. Esse deveria ser o grande ídolo de toda humanidade.


Ingrid Dragone

4 comentários:

sandro caldas disse...

A princípio acho que os motoristas dessa cidade são muito, mas muito mal educados e não respeitam ningúem. Aqui na minha rua tem uma faixa de pedestre que apenas serve de enfeite. A pessoa tem que se jogar para passar. Um absurdo!
O que aconteceu com você reflete a falta de empatia de determinadas pessoas...e são muitas!
Posso até concordar que ele tenha tido um dia difícil, ainda assim não justifica a grosseria e a falta de respeito.
Beijão!

Anônimo disse...

O realismo das nossas relações sociais, do nosso cotidiano, em determinados momentos, nos levam a incredulidade da realização dos nossos sonhos. Porém, às vezes, realizamos determinadas fantasias, de acordo com os nossos desejos, que podem nos chocar, diante dos nossos valores expressados, não cultivados em nossos sonhos e desejos. O nosso tempo de vida é curto, ao longo de suas fazes.
Viva a vida!

Excelente Blogger!

Francisco

INGRID DRAGONE disse...

Sandro, na hora não dava para acreditar que ele estava agindo daquela forma.

Obrigada pela visita, viu?

INGRID DRAGONE disse...

Francisco, obrigada pelo elogio. Obrigada pela visita! Volte sempre!