25 novembro, 2009

Simplesmente simplicidade

Para falar de simplicidade podemos começar pelos jardins. Eles se ocupam apenas de ser o que são. E são lindos, de uma beleza indescritível. Rosas, margaridas, crisântemos, violetas; todas são simples. Florescem no tempo certo, emprestam poesia ao nosso caminho e se vão. E a felicidade é assim: simples.

Mas o mundo e as pessoas exigem que sejamos complexos. Somos impelidos a sempre buscar mais informações sobre tudo, ser mais conhecidos, ter mais sucesso e bens. Muitas vezes, constato, motivados pelo sentimento de aceitação ou necessidade de aplausos.

A complexidade de tudo querer em pouco tempo nos deixa angustiados, ansiosos, tristes, frustrados e até doentes. Desperdiçamos a nossa energia com inúmeras atividades diariamente e no meio desse emaranhado de compromissos esquecemos do sorriso, do abraço, do café da manhã diante do sol, de proferir a palavra que acalma, de ouvir essa palavra; coisas simples.

Ter essas coisas simples, para mim, é ser sofisticado. Boa parte dos nossos esforços não é justamente para termos isso? Qualidade de vida, conforto e paz? E tudo isso é sinônimo de leveza e felicidade.

A pessoa simples é leve e feliz porque não enxerga problemas em coisas pequenas e ao mesmo tempo vê a beleza das coisas comuns, entende o valor delas. A pessoa simples não carrega muitas coisas nos braços, carrega muitas palavras boas no coração. E eu quero ser assim: cada vez mais sofisticada, cada vez mais simples.



Ingrid Dragone

18 novembro, 2009

TV de lixo

Ensinam os comunicólogos que as emissoras televisivas foram forçadas a melhorar suas programações para equipará-las aos anúncios publicitários, cada vez mais bem feitos e criativos. Óbvio, é o anunciante que sustenta qualquer meio de comunicação. Só não sei em que parte do caminho essa “condição” da programação de qualidade se perdeu: temos uma tv de lixo.

A “novela das 8h”, por exemplo, tem o sexo e a traição como foco. Um rapaz sente atração pela namorada do irmão; homens casados traem suas esposas (com desconhecidas, conhecidas e com parentes delas), e elas também dão o troco; a menina virgem é criticada pela própria irmã; há também a mulher que se comporta promiscuamente e tem uma filha pequena, que cresce achando tudo isso normal.

Um outro programa mostra o relacionamento “divertido” de uma garota com dois namorados. Ela é bonita, cheia de personalidade, engraçada e feliz. Os problemas não são provenientes do triângulo amoroso – muito harmonioso, por sinal -, mas da falta de grana e até da tpm da protagonista. São aventuras, como numa revista de histórias em quadrinhos, com formato diferenciado e voltada para os jovens. Quantas adolescentes não devem estar se encantando com esse estilo de vida?

É lógico que essas produções, assim como os programas de auditório que exploram a sexualidade ou a imagem da mulher-objeto, refletem a sociedade em que vivemos. Contudo, não se pode negar que se trata de uma pista de mão dupla. Estão no ar porque têm audiência (o “público gosta”) e também porque apresentam todas as “distorções” de maneira muito simpática. Os personagens são carismáticos e/ou bonitos, conquistando o telespectador.

Não posso ser hipócrita e afirmar que não assisto televisão. Sou formada em comunicação e tenho que saber o que se passa. Entretanto, não cultivo o hábito. E quando vejo “coisas” (sim, esses programas são “coisas”) desse tipo sinto menos vontade ainda de assistir. Prefiro ler um livro, pegar um filme na locadora, ler a bíblia, fazer pesquisas na internet, escrever, conversar...

Antes que alguém diga que sou chata e careta, quero pontuar que esse texto não é um protesto contra a emissora A ou B. Ele tem o intuito de gerar uma reflexão: pensemos com o que temos ocupado o nosso tempo!



Ingrid Dragone

02 novembro, 2009

Falta Deus no coração

Às vezes fico triste pensando no quanto falta Deus no coração das pessoas. A cada dia, a cada minuto me deparo com situações lamentáveis. E não é preciso que se fale aqui de um ato muito grave, como um homicídio, por exemplo. Pequenas atitudes do cotidiano refletem essa ausência.

Voltando do trabalho há cerca de vinte dias, às 20:11 – foi tão marcante que lembro o horário exato – fui acuada no trânsito por um motorista de caminhão-guincho da empresa Porto Seguro. Ele andava na pista de ônibus e dirigia com muita pressa. Querendo passar na minha frente, o homem começou a me fechar, jogando o veículo bruscamente. Com receio de que ele batesse na minha lateral, buzinei. Ele buzinou em resposta. Buzinei novamente. Daí ele afundou a mão na buzina. Não satisfeito, foi para trás do meu carro, colocou luz alta e assim manteve os faróis até se deslocar para a outra pista. Eu não enxergava nada e essa foi a pior parte da história... Depois ainda me xingou de alguma coisa que não consegui ouvir.

Não deu para anotar a placa do veículo que ele guiava. Achei que ele merecia tomar uma advertência do seu gerente pelo comportamento agressivo. Já pode ter feito isso com outras pessoas ou poderá voltar a fazer, provocando um acidente.

Cheguei a ligar para a seguradora no dia seguinte para fazer a queixa. Embora não tivesse o número da placa, sabia que seria impossível a Porto Seguro ter mais de um caminhão-guincho circulando na Av. Bonocô, sentido Iguatemi, naquela hora. Soma-se a isso o fato da empresa dispor de GPS - segundo a informação de funcionários de lá - o que, com certeza, levaria à identificação do motorista.

Quando fiz a reclamação ocorreu “aquela” situação básica: passaram a minha ligação de atendente a atendente e nada resolveram. Expliquei que não queria nada em troca, só comunicar o que aconteceu, como uma medida preventiva. Argumentei que estava fazendo um favor para eles, já que os colaboradores de uma empresa representam a imagem dela na sociedade. Dei os dados do ocorrido para a quinta, sexta, sei lá, pessoa que falou comigo. Ficaram de me ligar, dar um retorno. Quem se importou?

Para mim, agora, tanto faz. Até me pergunto se deveria mesmo ter feito a reclamação. Será que ele seria duramente penalizado? Como eu me sentiria se recebesse a notícia, por exemplo, de que ele foi despedido? Como ficaria a vida dele? Não posso imaginar que circunstâncias o levaram a se comportar daquela maneira...

É por essas e outras que devemos nos situar a cada instante e tentar agir como Jesus agia. Esse deveria ser o grande ídolo de toda humanidade.


Ingrid Dragone