23 setembro, 2009

Falta tempo?

Na semana passada li um artigo sobre as pessoas “muito ocupadas”. O autor falava sobre o quanto é ridículo respondermos “estou tão cansado”, quando alguém passa por nós e pergunta de maneira simpática “como você está?”. Na verdade, a pessoa que nos faz esse tipo de cumprimento só está querendo ser gentil, ou seja, não está, definitivamente, querendo ouvir nossos problemas ou qualquer tipo de queixa. Além disso, de que adianta reclamar da quantidade de trabalho? Quem hoje em dia não se vira nos trinta para ganhar mais dinheiro ou ter mais reconhecimento?

Vamos pensar também sob outro aspecto: pessoas que estão o tempo todo sem tempo (desculpem-me pelo trocadilho) são aquelas que não sabem se organizar ou, muitas vezes, são aquelas que gastam minutos preciosos fazendo fofoca, dormindo demais e até comentando o destino dos personagens da novela das oito (ou nove?). Bem, não sou chegada a fofocas, acho que estender o sono pode ser necessário e não tenho nada contra falar sobre novela, contudo, venhamos e convenhamos, quem não tem tempo não precisa de passatempos como esses. Certo?

Acredito que somos capazes de cuidar de mais coisas do que pensamos. Eu mesma já constatei que com um número maior de compromissos consigo estruturar melhor o meu dia. E até encontro espaço para o desempenho de uma nova atividade. Trata-se de ter prioridades.

Quem não conhece um sedentário que sempre promete que vai voltar a malhar na próxima segunda-feira? Arranja desculpas, mesmo sabendo que seis horas de exercício físico por semana não farão tanta diferença nos prazos das tarefas. Ao contrário, produzimos melhor quanto temos o nosso momento de relaxamento.

Querem saber? Não adianta o desespero. Alimentamos a ilusão de que podemos planejar tudo, inclusive o nosso tempo, mas a vida é imprevisível. Corremos loucamente contra o relógio e aí vem Deus e manda parar, põe o obstáculo (uma oportunidade, ainda que não a enxerguemos assim), desarticula as nossas intenções com um propósito que só Ele conhece.

O tempo está acima de nós. E o tanto que pudermos discutir sobre o assunto, em horas, meses e anos, ainda será pouco. Por falar nisso... sinto muito se você acha que perdeu tempo lendo essas minhas breves considerações sobre a falta de tempo...



Ingrid Dragone

16 setembro, 2009

Recomendo – parte 21

• Bombons sortidos “Classics” da Kopenhagen. Delícia!!!

• Pular corda! Ótimo exercício aeróbico!

• Mousse Due, da Chandelle.

• O filme “As Duas Faces de um Crime”.

• Deixe sempre tudo organizado. Alguns minutinhos que você gasta quando chega em casa para guardar as coisas do trabalho economizam horas de arrumação depois.

• Salvar regularmente em CD as fotos arquivadas no computador.

• Pedir a Deus paciência antes de enfrentar o trânsito. É importante não deixar que a agonia de outros motoristas abale o seu emocional.

• Tirar finais de semana para não usar celular, computador e televisão. É bom ter tempo para um milhão de outras coisas: ler, fazer exercício, jogar, conversar, dançar, cozinhar...

• Fazer reuniões no café da livraria Saraiva (Salvador Shopping). Para tudo ficar melhor, você pode pedir a tortinha de brigadeiro com morango. É pequenininha... mas uma delícia. A porção de pãezinhos de queijo também vale muito a pena.

01 setembro, 2009

Repercutindo o “Todo Enfiado”

A Bahia inteira, gente em todo país e até em outros países tem acompanhado a história da professora que caiu no You Tube após ter sua performance filmada num show dançando a pérola “Todo Enfiado”. Não quero discutir aqui se a professora, agora demitida, ganhou fama – e pode ser chamada para fazer algum tipo de “trabalho” por conta desse episódio, como já ouvi muitos especulando -, ou se o vídeo divulgado vem sendo incontáveis vezes acessado pelos internautas por curiosidade ou por mera diversão. Há outros aspectos mais interessantes em torno do fato.

Em primeiro lugar, as imagens refletem não só um momento descontraído e, digamos, de lazer de uma pessoa, mas representam a banalização da sexualidade, assim como acontece também em muitos bailes funk do Rio de Janeiro. Os jovens estão crescendo achando que é natural ser promíscuo e exibir essa promiscuidade. Às vezes me pergunto o que será das próximas gerações... Basta ver no Orkut quantas meninas exibem o corpo em fotografias apelativas, vendendo uma figura de “fêmea fatal” para qualquer usuário da rede.

Em segundo lugar, e ligada à questão acima, está a vulgarização a que as mulheres tem se sujeitado. A liberdade sexual chegou para prender? Para tornar o sexo feminino preso/atrelado à condição de objeto? Muitas se queixam de que os homens não querem compromisso sério, não tem respeito, só querem transar. Na sociedade ainda machista em que vivemos eles são comumente criados para ser “pegadores”; imaginemos, então, a consequência disso quando boa parte das mulheres passa a apresentar um comportamento “moderno”, de "iniciativa". Os homens acabam por generalizar e acreditar que todas são assim, “modernas”.

Em terceiro lugar, o momento é uma oportunidade para falarmos sobre a decadência da produção musical no Brasil. Há quem defenda a música do gueto, do povão que encontra nesse tipo de cultura a válvula de escape para os problemas do dia a dia. Arte é catarse, leva à reflexão, à instrução e, claro, ao deleite também, mas não deseduca.

Em quarto lugar, é bom tomar cuidado: estamos experimentando a era do Big Brother. Em qualquer lugar, a qualquer momento, podemos ser filmados por celulares, aparelhos acessíveis a todos. Obviamente o vídeo que ensejou esse texto foi feito com conhecimento da atriz principal, mas podemos aproveitar o fato para pensar na utilização dos recursos que desenvolvemos. Criaturas podem destruir os seus criadores? Nesse caso, acabar com a privacidade e a espontaneidade?

Em quinto lugar, tenho só mais uma coisa a dizer. A memória do brasileiro é curta. Logo esqueceremos o desempenho “Todo Enfiado” da professora e os desdobramentos disso. E do jeito que caminha a humanidade, teremos, com certeza, muitos outros motivos para repetir a frase dos nossos avós: “o mundo está perdido”.



Ingrid Dragone