17 agosto, 2009

Grandes imortais morrem cedo

Imagine se você fosse observado o tempo inteiro? Se sua chegada a qualquer lugar virasse um grande evento? Se até o seu descuido ao sair com uma roupa folgada ou mais velha fosse motivo para crítica ou piada? Se precisasse correr do assédio das câmeras nervosas, sempre atrás das cenas que vão vender sites, jornais, revistas e programas de televisão. É com situações como essas que muitos artistas lidam cotidianamente.

Escrevo isso inspirada numa série especial de matérias publicadas na revista Isto É – que só li agora – sobre Michael Jackson. A reportagem que mais chamou a minha atenção é a que fala sobre a relação intrínseca entre os excessos da vida de um super artista e o caminho para uma morte precoce. A linha de raciocínio do texto começa com a história do “rei do pop” e se estende para todos os grandes fenômenos artísticos. Para essas grandes estrelas a morte é o limite, já que tudo em suas vidas é demais: dinheiro, luxo, sucesso, exposição, narcisismo.

Tudo que circunda os gênios das artes, especialmente da música, ultrapassa, e muito, as condições normais de um ser humano. Eles dispõem facilmente do que a maior parte das pessoas nem imagina possuir. Tem acesso ao que foge do dia a dia real e comum a todas as pessoas. Precisam de mais e mais. Tornam-se obsessivos, sem medidas. Daí se perdem em paranoias que os levam à vícios, excentricidades, loucuras.

Após ler a matéria fiz a inevitável intertextualização com algumas leituras recentes, textos que nos fazem refletir a respeito do verdadeiro propósito da nossa existência. Por que buscamos situações e estilos de viver que no final das contas nos trazem infinitos problemas e consequências devastadoras? Por que ser uma celebridade é o sonho de tantas pessoas? O que é capaz de nos satisfazer plenamente?

Hoje vivemos cercados por dispositivos que expõem a nossa vida pessoal – o que vestimos, aonde vamos, com quem andamos, o que fazemos. No fundo, acredito que isso seja uma forma de nos sentirmos “famosos”. Como justificar a paixão pelo Orkut, You Tube ou Big Brother? São ferramentas que possibilitam a visibilidade às pessoas “comuns” ou “anônimas”.

Muitos tem desejado os chamados “quinze minutos de fama”. Poucos chegam a consolidar os seus planos de transformá-los em uma vida de celebridade. Desses, ainda, raros administram bem o fato de gozar dos prestígios que suas carreiras artísticas lhes oferecem.

Tudo que não é superlativo ou megalomaníaco ou extravagante é insignificante para as super estrelas. Rotinas são insignificantes, assim como os simples afazeres do cotidiano. É saudável encarar a vida dessa maneira? Acredito que podemos fazer a diferença sem abrir mão da verdadeira felicidade.



Ingrid Dragone

Nenhum comentário: