24 agosto, 2009

Jornalistas sem diploma?

Lembro-me bem das aulas sobre construção de matérias que tinha na faculdade de Jornalismo... Discutíamos até o sentido que a substituição, por exemplo, do verbo poder por dever, ou do verbo afirmar pelo dizer, causa num texto, a intenção que uma simples mudança é capaz de provocar. Tínhamos também disciplinas como Ética, Análise do Discurso, Sociologia, História do Jornalismo, entre tantas outras. E, por tudo isso, ainda não posso acreditar que quatro anos de estudo não valeram nada. Nada? Como o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) pôde decidir, em 17 de junho desde ano, pela não exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão?

Então, para esses senhores, qualquer um que estudar filosofia é filósofo? Qualquer um que estudar psicologia é psicólogo? Que estudar história é historiador? A Comunicação Social é uma ciência! Eles precisariam ter acesso à vida acadêmica de um futuro jornalista para entender o quanto é preciso ler e aprender para ser um profissional da área...

Pessoalmente, essa lamentável decisão do STF não tem causado transtornos ou receios. Bem, não quero entrar aqui na minha situação, pois já tenho um caminho trilhado e sei do valor do que faço. Mas, penso nos jovens recém-formados ou nos que ainda não tiveram a oportunidade de consolidar o seu nome no mercado, ainda mais em regiões como o Nordeste, com poucas empresas de comunicação e onde ainda não se tem a verdadeira noção do que a atividade significa. No final das contas, a não exigência do diploma poderá prejudicar ainda mais a classe em termos salariais e de condições de trabalho.

Embora, muitas vezes, os jornalistas não sejam bem reconhecidos por sua função, não dá para negar: o jornalismo é imprescindível, principalmente se levarmos em consideração que hoje o conhecimento é a maior riqueza de uma sociedade.

Conhecimento! Já se foi a época em que o “foca” (jornalista iniciante) aprendia a fazer matéria na redação. Cada vez mais os gerentes de jornalismo exigem que o profissional da notícia tenha texto bom, seja rápido e saiba apurar. Novas tecnologias tem parte nisso, especialmente a internet. São milhares sites e blogs atualizados por minuto, portanto, não há tempo de “ficar aprendendo” enquanto tanta coisa acontece no mundo e tanta gente quer saber o que acontece. Se muitos saem da faculdade ainda precisando do traquejo no dia a dia, imagine os que nunca passaram por lá?

Levar notícias a uma nação não é brincadeira. Como dizia um professor que tive na faculdade, uma declaração mal colocada na boca de uma fonte pode matá-la. Pela integridade das fontes e pela dignidade e auto-estima dos jornalistas formados, espero que os diretores das empresas de jornalismo tenham juízo e continuem fazendo do diploma um pré-requisito essencial para a contratação de suas equipes.



Ingrid Dragone

17 agosto, 2009

Grandes imortais morrem cedo

Imagine se você fosse observado o tempo inteiro? Se sua chegada a qualquer lugar virasse um grande evento? Se até o seu descuido ao sair com uma roupa folgada ou mais velha fosse motivo para crítica ou piada? Se precisasse correr do assédio das câmeras nervosas, sempre atrás das cenas que vão vender sites, jornais, revistas e programas de televisão. É com situações como essas que muitos artistas lidam cotidianamente.

Escrevo isso inspirada numa série especial de matérias publicadas na revista Isto É – que só li agora – sobre Michael Jackson. A reportagem que mais chamou a minha atenção é a que fala sobre a relação intrínseca entre os excessos da vida de um super artista e o caminho para uma morte precoce. A linha de raciocínio do texto começa com a história do “rei do pop” e se estende para todos os grandes fenômenos artísticos. Para essas grandes estrelas a morte é o limite, já que tudo em suas vidas é demais: dinheiro, luxo, sucesso, exposição, narcisismo.

Tudo que circunda os gênios das artes, especialmente da música, ultrapassa, e muito, as condições normais de um ser humano. Eles dispõem facilmente do que a maior parte das pessoas nem imagina possuir. Tem acesso ao que foge do dia a dia real e comum a todas as pessoas. Precisam de mais e mais. Tornam-se obsessivos, sem medidas. Daí se perdem em paranoias que os levam à vícios, excentricidades, loucuras.

Após ler a matéria fiz a inevitável intertextualização com algumas leituras recentes, textos que nos fazem refletir a respeito do verdadeiro propósito da nossa existência. Por que buscamos situações e estilos de viver que no final das contas nos trazem infinitos problemas e consequências devastadoras? Por que ser uma celebridade é o sonho de tantas pessoas? O que é capaz de nos satisfazer plenamente?

Hoje vivemos cercados por dispositivos que expõem a nossa vida pessoal – o que vestimos, aonde vamos, com quem andamos, o que fazemos. No fundo, acredito que isso seja uma forma de nos sentirmos “famosos”. Como justificar a paixão pelo Orkut, You Tube ou Big Brother? São ferramentas que possibilitam a visibilidade às pessoas “comuns” ou “anônimas”.

Muitos tem desejado os chamados “quinze minutos de fama”. Poucos chegam a consolidar os seus planos de transformá-los em uma vida de celebridade. Desses, ainda, raros administram bem o fato de gozar dos prestígios que suas carreiras artísticas lhes oferecem.

Tudo que não é superlativo ou megalomaníaco ou extravagante é insignificante para as super estrelas. Rotinas são insignificantes, assim como os simples afazeres do cotidiano. É saudável encarar a vida dessa maneira? Acredito que podemos fazer a diferença sem abrir mão da verdadeira felicidade.



Ingrid Dragone