10 maio, 2009

Fenômenos de fúria




Fato:Dilúvio em Salvador.Constatação:não adiantar a gente se queixar da falta de estrutura da cidade, pois além de bueiros entupidos e insuficientes, e de uma “formatação” deficitária de vias há muitos e muitos anos instalada, é preciso reconhecer a nossa culpa nessa história toda: a natureza está respondendo à altura da agressão humana. Ao feitio de entidades poderosíssimas,ela vem externando o seu desafeto, a cada dia, cansada de dar a outra face para o homem bater.

Em apenas um dia choveu em Salvador um terço do que choveria em um mês inteiro. E fenômenos de fúria, assim, sem precedentes, são reverberados em todo o mundo. As chuvas castigam, arrancam, levam, desabitam, fazem sofrer. Os mares revoltos ensejam inacreditáveis ondas novas aos olhos já acostumados às suas águas, provocando o medo, a fuga, a morte, a vontade de morrer.

Alguns falam sobre o fim dos tempos, baseados em profecias, nas palavras da bíblia. Seja o que for, a cura, me ocorre, é inevitável. Teremos de nos acostumar e dispor de uma das maiores capacidades da nossa espécie. A de adaptação. Seria interessante trocar nossos carros por passeios de canoa? Deslizar pelas águas do rio Itaigara? Da lagoa Bonocô? Da bacia de Itapuã?



Ingrid Dragone

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