30 março, 2009

Drinks para aquecer

Novas misturas criam bebidas interessantes e fazem a cabeça dos baianos

Por Ingrid Dragone
(matéria publicada na 6ª edição da revista Evento)

As águas de março já estão fechando o verão. Daqui a poucos dias os termômetros começarão a registrar temperaturas mais baixas. A cerveja gelada, tão apreciada pelo público baiano, perde um pouco o espaço em restaurantes e, principalmente, em bares com música ao vivo e boites. Um belo e delicioso drink passa a ser, sem dúvida, uma ótima opção para tornar as noites mais quentes e charmosas. Além de ser mais sofisticado e bastante saboroso, pode ser feito sob medida.

Por todos esses motivos, especialistas e empresários da área gastronômica estão cada vez mais dedicados à arte de preparar bebidas. Variedade, um visual diferenciado e receitas originais são imprescindíveis. Tanto investimento vem rendendo bons resultados. A demanda por drinks é crescente.

Por causa disso, muitos fabricantes de destilados, interessados em ampliar as possibilidades de venda de seus produtos, têm firmado parcerias com donos de empreendimentos ligados ao consumo de bebidas. Para o empresário Nagib Daiha, proprietário da casa de shows Madrre e do bar Bohemia Music Temakeria, o aumento da escolha dos clientes por drinks tem relação direta com o lançamento de outros destilados no mercado.

“Cachaças como Sagatiba e Itagibá incentivam a criação de batidas. Há também agora as vodkas mais caras, as chamadas premium, tão valorizadas quanto um uísque 12 anos. Elas têm sido combinadas com frutas. Em alguns estabelecimentos (a exemplo da Madrre) o cliente recebe as jarras de suco e faz a própria mistura. Hoje, até uísques são combinados com frutas, o que antes era inimaginável. A vida noturna de Salvador está mais agitada e o que faz sucesso em outros estados não demora para chegar aqui”, pontua.

Mas, não basta estudar a alquimia das bebidas somente com o intuito de apresentar aos clientes um cardápio repleto de novidades. É preciso entender as suas preferências, ter sensibilidade para agradar aos mais diversos paladares. Só assim, uma mistura é capaz de desbancar a escolha pelo tradicional uísque básico, acompanhado apenas de algumas pedras de gelo, e pela internacionalmente famosa caipirinha com cachaça.

Segundo o barman João Gaspar da Silva Neto, do restaurante Barbacoa, as mulheres, por exemplo, costumam apreciar bebidas mais leves, como coquetéis de frutas e roskas. Homens consomem frequentemente as bebidas com maior teor alcoólico e sabor mais “agressivo”. O Negroni é considerado um dos best sellers entre o público masculino. Trata-se de um drink que leva Campari, gin e Martini Russo. Outro campeão de pedidos é o Sauer, uma combinação de suco de limão batido com açúcar e uísque.

Sem distinção de sexo ou idade, também fazem sucesso na casa os drinks batidos Alexander (creme de leite, creme de cacau, conhaque, pó de nozes ou canela), Pina Colada (rum Bacardi, leite de coco, e suco de abacaxi, podendo levar um pouco de leite condensado ou xarope de groselha), e Meia de Seda (creme de leite, creme de cacau e gin), e o drink montado Luz Del Fuego (licor de tangerina, suco de laranja e espumante).

“O que garante a saída de um drink é a qualidade. Ele deve ter uma boa aparência e a dosagem das bebidas deve ser equilibrada. Às vezes o cliente pede uma coisa diferente. Experimentamos e avaliamos se a combinação dá certo”, diz o barman.

18 março, 2009

Minha música toca...

Há cerca de oito anos compus uma música para o Movimento Escalada (grupo de jovens católicos - www.movimentoescalada.org.br) juntamente com um amigo, o músico W. Quem frequenta a missa da igreja da Vitória, nas noites de domingo, diz que a canção é "top dez".

Por causa da democratização de informações proporcionada pela internet, "A VOZ DE DEUS" foi parar num site especializado em música, com cifra e tudo.

Pretendo compor mais, mas para isso preciso de um parceiro. Apesar de ter uma boa noção de melodia (herança do ballet, já que nas aulas ouvia músicas clássicas diariamente), não toco nada além de percussão com os pés (sapateado)!!!

Quem quiser conferir a música, aí está o link:

A VOZ DE DEUS

11 março, 2009

O Sabor das Prosas de Jorge Amado

Se o assunto é o feliz casamento entre a gastronomia e a literatura, Jorge Amado é um prato cheio.

Por Ingrid Dragone
(Matéria divulgada na 3ª edição de 2008 da revista Bahia Chef)

Jorge Amado sabia que uma trama envolvente exige mais que cenários e personagens intrigantes. Suas narrativas nascem de acontecimentos históricos e possuem uma linguagem pitoresca, que evidencia e valoriza a cultura regional, o que a Bahia tem de mais autêntico. E quando se fala de um povo, de uma gente, a culinária é ingrediente fundamental, é o que tempera a obra e possibilita ao leitor a proximidade e o sentimento de auto-reconhecimento. Por isso, seus livros são recheados de aromas e sabores, trazendo a comida que não somente satisfaz uma necessidade vital, mas que se define como a extensão do bem viver.

A culinária não é uma mera coadjuvante na literatura de Jorge Amado. Ela alimenta cenas, ambientes, conflitos e o perfil dos personagens. Tem função estética, construtora e estabelece jogos de sentidos. Gabriela, Cravo e Canela. Tocaia Grande. Os Pastores da Noite. Mar Morto. A Tenda dos Milagres. Dona Flor e Seus Dois Maridos. Quem leu já teve a experiência de uma viagem pela gastronomia. Feijoada, bolinhos de carne fritos, moqueca, frigideira de bacalhau, quindim... Tudo é pretexto para falar das realidades e dos sonhos que preenchem as páginas de cada título.

Jorge Amado sempre tratou a culinária como arte, uma rica e sincera expressão da cultura miscigenada, com valores europeus e africanos. Mas os nomes e as combinações dos pratos, as misturas e as formas de cozinhar não refletem apenas essa herança - os costumes e preferências resultantes da hibridização brasileira -, como também revelam circunstâncias e intenções.

Para o escritor, o sexo e a comida, por exemplo, têm uma ligação íntima. Os atos de servir e ser servido sugerem o querer bem. Essa relação entre os prazeres gastronômicos e os prazeres da carne é bem representada no livro Gabriela, Cravo e Canela (que este ano completa seu cinqüentenário, e em junho será relançado pela editora Companhia das Letras, chegando à 80ª edição no Brasil). Nele, o sentimento amoroso facilmente mistura-se ao desejo por uma boa mesa. Nacib ama Gabriela, sua “mulher-cozinheira”. E Gabriela expressa o seu amor ao cozinhar para Nacib.

Atenta a essa forma de desenvolvimento dos romances, Paloma Amado debruçou-se sobre a vasta obra do pai, durante seis anos, para coletar tudo o que sacia os personagens criados por ele. A pesquisa resultou no livro A Comida Baiana de Jorge Amado. A compilação de receitas mostra a culinária como um elemento que reforça códigos sociais, traços psicológicos e o comportamento das pessoas inseridas nas narrativas.

A prosa de Jorge Amado transforma alimento em significado. A preparação das iguarias, o saborear, e os rituais de escolha dos condimentos são usados para falar da paixão, da relação humana, do gosto popular, dos contrates, das dificuldades e até da fome. A prosa de Jorge Amado ajuda a eternizar as peculiaridades da cultura baiana e confere um sabor todo especial à produção literária brasileira.