18 setembro, 2008

Passos

Entre as pedras do parque e as imperfeições do chão de cimento: vacilantes. Pela inexperiência e contínua adaptação aos sapatinhos: desiguais. Assim, os passos da criança iniciada na rotina de andar. Por vezes, pensando que já pode correr, acelera e pende o corpinho para frente, como se fosse cair a qualquer momento. Por vezes, pensando que sabe ser independente, ao pegar um brinquedo abandonado em outro cômodo da casa, vibra.

O espaço ao seu redor parece o mundo inteiro. Mas ela vai descobrindo que nem tudo é permitido, porque anda, mas alguém segura a sua mãozinha para que não caia, para que não pegue, para que não prove. O mundo inteiro...

Ela ainda vai entender que dar passos não se resume ao domínio, com equilíbrio e firmeza, da mecânica do pé ante pé. Vai entender que o andar ganha outros sentidos. Um dia terá mesmo que caminhar sem ajuda. E isso poderá doer muito. Vai encontrar pedras, buracos, bifurcações... Vai perder a direção. Vai retomar o trajeto, e se perder novamente. E se achar. E se perder. E se achar... Ela ainda vai entender que terá a vida inteira para aprender a andar.

Ingrid Dragone

6 comentários:

amanda dragone disse...

Só lembrei de Dudu!

INGRID DRAGONE disse...

Inspirado nele mesmo! rs.Para quem não sabe, nosso sobrinho.

Daniel Queiroz disse...

Parabéns, minha linda! Excelente texto. Muito bonito mesmo.

INGRID DRAGONE disse...

Obrigada, amor. Como você é um bom crítico, não vou dizer que sua opinião é suspeita. rs.

Sarinha H disse...

Que lindo escritora Guidi!! Lindo mesmo...beijos de sarinha =)

INGRID DRAGONE disse...

Obrigada, Sarinha!!! Vc é que é uma fofa e fica aí me elogiando! te adoro muuuuuuuito!!!!