18 setembro, 2008

Passos

Entre as pedras do parque e as imperfeições do chão de cimento: vacilantes. Pela inexperiência e contínua adaptação aos sapatinhos: desiguais. Assim, os passos da criança iniciada na rotina de andar. Por vezes, pensando que já pode correr, acelera e pende o corpinho para frente, como se fosse cair a qualquer momento. Por vezes, pensando que sabe ser independente, ao pegar um brinquedo abandonado em outro cômodo da casa, vibra.

O espaço ao seu redor parece o mundo inteiro. Mas ela vai descobrindo que nem tudo é permitido, porque anda, mas alguém segura a sua mãozinha para que não caia, para que não pegue, para que não prove. O mundo inteiro...

Ela ainda vai entender que dar passos não se resume ao domínio, com equilíbrio e firmeza, da mecânica do pé ante pé. Vai entender que o andar ganha outros sentidos. Um dia terá mesmo que caminhar sem ajuda. E isso poderá doer muito. Vai encontrar pedras, buracos, bifurcações... Vai perder a direção. Vai retomar o trajeto, e se perder novamente. E se achar. E se perder. E se achar... Ela ainda vai entender que terá a vida inteira para aprender a andar.

Ingrid Dragone

16 setembro, 2008

Cena Real

Aparado por alguém e sob um sol muito forte, o homem descia a elevação de areia com os braços abertos. As palmas das mãos voltadas para cima. A feição de um sofrimento antecipado. No meio de um pequeno grupo de pessoas estava a tristeza da qual teria certeza naquele momento. O corpo do seu filho estendido na praia. A toalha por cima do corpo não escondia as pernas - já reconhecidas à distância - do jovem de dezesseis anos. O homem aproximava-se do corpo e ao descobrir a cabeça do menino constatava num pranto cheio de dor: “é verdade... é verdade...”. Ele beijava a face do filho, chorava debruçado sobre o tórax dele, e o tocava muito, entendendo precocemente a falta daquele tato a partir de então.

A cena é real. Imagens de uma matéria feita esta semana sobre o afogamento de um estudante. Era manhã de domingo. O passeio de bicicleta com os amigos precedeu o banho de mar, que precedeu a morte, que precedeu o sofrimento de uma família para sempre.

O pai havia pedido que o menino não fosse à praia naquele dia ensolarado e especialmente convidativo. O que ou quem pode nos impedir de viver? E de morrer?


Ingrid Dragone

09 setembro, 2008

Mimo Gastronômico

Dificílimo. Definitivamente. Esta semana, fui ao supermercado após “aquela” jornada diária. Naturalmente bateu o desejo de levar para casa um mimo gastronômico, embora esteja pensando há um tempo em manter uma alimentação mais saudável, projetando um futuro sem remédios. Quando ia bem tranqüila em busca dos itens para a tal “reeducação alimentar”, passei por uma ala repleta de chocolates. Cores chamativas em papéis laminados. Caixas com os mais variados formatos. Inúmeros tipos de recheio.

O que aquelas embalagens de “Sonho de Valsa” (ainda não inventaram um chocolate melhor) me diziam naquele momento? Tão suplicantes? Incrivelmente magnetizadas? E o pior. A disposição para gastar era grande... Havia até lançamentos nas prateleiras! Cheguei a me aproximar. Logo voltei à rota original. Quase parei novamente para me entregar ao prazer da gula.

E o final dessa história? Um carrinho cheio de barrinhas de cereal, frutas, iogurtes, biscoitos de fibra, sucos e... um pacote de biscoito recheado sabor chocolate.Um só!!! A indústria alimentícia, dotada de inimagináveis artifícios para atrair os consumidores, seduz facilmente alguém ávido por um pequeno deleite ao final de uma segunda-feira.


Ingrid Dragone

02 setembro, 2008

Recomendo – parte 12

1. Barrinhas de cereal da Plus Vita. Tem de maçã com canela e de banana com mel. Elas são mais crocantes do que as das outras marcas.

2. Preparar um lanche com o (a) namorado (a). Pode ser divertido. Pode ser bem romântico.

3. Roupas de banho e ginástica da Dijana (Rua Ceará, Boulevard 405, Pituba).

4. Passar uma manhã de domingo na barraca “Caporal”, na praia de Stella Maris. Você fica de lá, olhando o mar e jogando conversa fora. O sombreiro enorme te protege totalmente do sol. E de quebra você pode pedir um caldo de sururu. O de lá é muito bom. Embora da última vez tenha experimentado o caldo de polvo. Eu, nojenta para essas “coisas”, curti legal. Tenho que pontuar que o atendimento da barraca é meio lento, mas se você não tem horário...

5. Seriado “Heroes”.

6. Fazer uma limpeza no guarda-roupas. Sem pena, dê metade de tudo que ocupa suas gavetas e araras. Com certeza você nem lembra que todas aquelas peças existem ou já está enjoado (a) delas. Abra espaço para as novas.

7. HOT ROLL!!! Iguaria da culinária japonesa! O do restaurante Jóia é muito gostoso... Mesmo quem não curte cozinha nipônica vai gostar. Acredito.

8. Em dias de dúvida... O jeans preferido e a camiseta básica, incrementados com acessórios bons e bonitos. Ah! O perfume não pode faltar.