22 julho, 2008

O Preço da Sinceridade

Seja sincero, mas responda por isso. Sua reação autêntica ou palavra fidedigna pode magoar. Ofender. Causar fissuras nas relações pessoais e profissionais. Muitas pessoas preferem os que vivem de abraços e frases doces, mesmo que nada daquilo seja condizente com os reais sentimentos. Seja porque não querem absorver mais problemas em dias atuais, já tão complicados, ou mesmo por considerarem a falta de sinceridade um exemplo de educação.

Tá bom. Ninguém precisa também aturar grosseria. Nem desabafos descabidos. Nem todas as labaredas de uma cabeça quente ou um coração ferido. É preciso aprender a dose. Digo isso para mim. Preciso dizer. Todos nós, sinceros, precisamos.

Pois há momentos em que é imensuravelmente difícil segurar a língua ou um olhar duro. Aquilo tudo quer vir à tona e você tem a sensação de que se não sair, ocorrerá um implosão interna. Uma destruição sem precedentes.

A contenção está mesmo no pensamento que antecede a fala. Segundos de pensamento. Chega à boca o que você quer externar, depois de um caminho rápido e sufocante. É necessário avaliar cada vírgula. Deixar sair o que for editado. Ou nem deixar sair. Ceder ao ato de calar. Exercitar o silêncio que pode manter a ordem.

Outro dia meu chefe falou em engolir sapos gordos, com pernas abertas e cheios de unhas. Uma terrível e, ao mesmo tempo, plausível solução para as intempéries do dia-a-dia. Sinceramente... Preciso treinar muito.


Ingrid Dragone

Nenhum comentário: