10 abril, 2008

Salvador está doente


A violência em Salvador está pior do que eu imaginava. Aliás, está pior do que todo mundo pensa. Vejo muitas pessoas criticando os meios de comunicação, “cheios de sangue e crimes”, mas afirmo que eles não refletem um quinto das denúncias que nós, os jornalistas, recebemos diariamente. Trabalho na redação de uma emissora de grande porte e atendo incontáveis ligações de pessoas, dos mais diversos pontos da cidade, avisando sobre corpos abandonados, tiroteios e assaltos, gente sendo assassinada por nada, a toda hora.


Ingênuo é aquele que se deleita com os cartões postais, acreditando ainda que em alguma rua, bairro ou avenida é possível andar tranqüilo. A capital baiana padece de uma doença muito grave e a cura está muito longe de ser encontrada. O poder público não pode ter controle sobre tanta miséria. Como diz um tio meu: “Às vezes estamos na sala da nossa casa e não sabemos o que ocorre na cozinha”. E, obviamente, o desvio de verbas do dinheiro público, nosso dinheiro, pelos políticos tem relação direta com o caos que se instalou na cidade.


Sei que não estou contando uma novidade. Só preciso desabafar, falar do meu espanto, de o quanto vivemos sem noção do que acontece. A pior parte da história toda é que a visão que a sociedade tem disso tudo vai sendo banalizada. Um corpo sem identificação, largado numa escada, num matagal, num rio, é apenas mais um corpo e vira pauta para os jornais.




Ingrid Dragone

2 comentários:

Cris disse...

Ingrid é uma pena que os programas sociais não ajudem a mudar essa triste realidade. Parabéns, muito bom o seu texto, fico feliz por ter uma colega tão inteligente e sensível as causas populares.

INGRID DRAGONE disse...

Obrigada, Cris. Espero que você continue me prestigiando com o seu acesso ao meu blog! Gosto muito de você!