23 abril, 2008

Assassinos e Cínicos


Que homem não estaria aproveitando as câmeras para pedir justiça, para pedir que encontrem o assassino da sua filha? O culpado, óbvio. Está na cara desde o início. Mesmo com o alvoroço da mídia em torno do caso brutal, Alexandre Nardoni não se valeu da imprensa para pedir a elucidação do crime. Sempre esteve distante, afinal, quem deve, teme... Houve, sim, um tempo depois a divulgação de um par de cartas, “montadas”, feitas por ele e pela também desprezível Ana Carolina Jatobá. O mesmo tipo de papel. O mesmo final (“A verdade prevalecerá”). O mesmo cinismo.

E por falar em cinismo, o que foi aquela entrevista que tiveram a indecência de ceder ao Fantástico? Nitidamente orientados pelo advogado de defesa, usaram os seguintes argumentos: Isabela era muito boazinha e alegre; tudo que o casal fazia pelos filhos também fazia por Isabela; Ninguém conhece a família deles para julgá-los. A quem eles achavam que poderiam convencer? Tinham a intenção de repetir aquilo tudo até que a imagem da "casinha feliz" se tornasse uma verdade? O lamentável teatro só inflamou a indignação de quem quer vê-los atrás das grades.


O pai: frieza. A cada falta de palavra, um “Isso não existe” ou um “não dá pra entender”. O olhar desencorajado, vagando em busca das respostas menos comprometedoras. Os sorrisos forjados, sugerindo um sentimento provocado pelas doces lembranças da filha. E a madrasta? Aquele choro? Lágrimas de quem se arrependeu por ter acabado com a própria vida. Lágrimas de desespero, de quem já sentiu um pouco do que é estar numa cadeia, do que é pagar pelo mal cometido.


Interromperam a trajetória de um anjo, que não teve como se defender, que nem soube por que estava sendo vítima de tamanha violência. A triste história está dando mais audiência do que as novelas. Cada capítulo da investigação sobre a morte de Isabela é acompanhado por milhões de espectadores diariamente. O seu nome está nos bares, nos escritórios, nas ruas, em muitos textos como o meu... A alma da pequena Isabela ainda não teve tempo para descansar. E quem descansará enquanto não houver punição?




Ingrid Dragone

4 comentários:

Luisa Maria disse...

Oi maluquinha, tudo bem contigo? Vi ontem "Dançando na Chuva" (adoro!) e me lembrei muito de vc (sapateado, né?), então vim aqui te dar um alô.

Sobre o caso Isabela, também tive essa sensação a respeito do pai. Eu nem estava nessa onda de "condenar antes, perguntar depois", mas da primeira vez que vi a imagem dele na tv (no dia do depoimento), pensei "foi ele!". O rosto daquele homem não era o de um pai que acabou de perder a filhinha de uma forma violenta e obscura. Ele estava tranquilo, mais preocupado com sua integridade física. E de cada vez que ele aparece, eu penso de novo "foi ele!". Nem sei o que dizer, fico desiludida com a raça humana, tão cansada disso tudo, dessa estupidez, dessa violência gratuita, que nem consigo sentir raiva mais.

Não assisti à entrevista. Outra emissora reprisou, comecei a ver, mas fiquei tão enojada que desisti de assistir no primeiro minuto. Agora só fico pensando nas duas crianças, filhas dele também. E na mãe da menina. Esperemos que a justiça seja feita.
Beijim. Desculpe o post gigante.

INGRID DRAGONE disse...

Tudo bem, Lu! O filme é de sapateado sim! rs. Mas é "Cantando na Chuva"! rsrsrs. Gostei muito do seu comentário sobre o texto! Apareça mais por aqui! Te adoro!

Luisa Maria disse...

Bem, cantando, dançando, que diferença faz? Ele canta, dança e se molha... rsrsrs

Adooouro a cena do "good morning", quando eles descobrem o lance da dublagem. E já assisti mil vezes, mas sempre me acabo de rir com as primeiras tentativas no estúdio.

Por que eu tou falando isso aqui? Sei lá... Vc que puxou o assunto, tá? rsrs

Não rola críticas de filmes aqui no blog?

Beijos, menina linda!!!

INGRID DRAGONE disse...

Pode até rolar um dia... rsrsrs. Obrigada pelo "menina linda"! rs.