30 abril, 2008

On/off

O povo está carente demais, e como não encontra no poder público, nas ações de quem ajudou a eleger, a resolução para os seus problemas, acaba recorrendo aos meios de comunicação. As pessoas fazem denúncias e sugerem matérias às emissoras porque querem ver os buracos das suas ruas tapados, os esgotos fechados, os postos de saúde funcionando, os professores nas salas de aula.

É triste. E nós, jornalistas, fazemos o que está ao nosso alcance, porque não há equipes de reportagem e nem tempo suficiente para estar em todos os pontos da cidade, para fazer a cobertura de tudo o que aflige a população.

Depois do grande esforço em busca da notícia, para a seleção do que deve ser levado ao público, na tentativa de ajudar com os recursos de que dispomos, ouvimos muitos desaforos. As pessoas ligam dizendo que estamos burocratizando, dificultando a divulgação das suas reclamações. Sofre o povo. Sofremos nós.

Acho que pensam que somos aparelhinhos, que temos on/off acoplado. Esquecem que somos humanos. E nós não podemos esquecer que os que nos ligam fazem parte da nossa audiência.




Ingrid Dragone

23 abril, 2008

Assassinos e Cínicos


Que homem não estaria aproveitando as câmeras para pedir justiça, para pedir que encontrem o assassino da sua filha? O culpado, óbvio. Está na cara desde o início. Mesmo com o alvoroço da mídia em torno do caso brutal, Alexandre Nardoni não se valeu da imprensa para pedir a elucidação do crime. Sempre esteve distante, afinal, quem deve, teme... Houve, sim, um tempo depois a divulgação de um par de cartas, “montadas”, feitas por ele e pela também desprezível Ana Carolina Jatobá. O mesmo tipo de papel. O mesmo final (“A verdade prevalecerá”). O mesmo cinismo.

E por falar em cinismo, o que foi aquela entrevista que tiveram a indecência de ceder ao Fantástico? Nitidamente orientados pelo advogado de defesa, usaram os seguintes argumentos: Isabela era muito boazinha e alegre; tudo que o casal fazia pelos filhos também fazia por Isabela; Ninguém conhece a família deles para julgá-los. A quem eles achavam que poderiam convencer? Tinham a intenção de repetir aquilo tudo até que a imagem da "casinha feliz" se tornasse uma verdade? O lamentável teatro só inflamou a indignação de quem quer vê-los atrás das grades.


O pai: frieza. A cada falta de palavra, um “Isso não existe” ou um “não dá pra entender”. O olhar desencorajado, vagando em busca das respostas menos comprometedoras. Os sorrisos forjados, sugerindo um sentimento provocado pelas doces lembranças da filha. E a madrasta? Aquele choro? Lágrimas de quem se arrependeu por ter acabado com a própria vida. Lágrimas de desespero, de quem já sentiu um pouco do que é estar numa cadeia, do que é pagar pelo mal cometido.


Interromperam a trajetória de um anjo, que não teve como se defender, que nem soube por que estava sendo vítima de tamanha violência. A triste história está dando mais audiência do que as novelas. Cada capítulo da investigação sobre a morte de Isabela é acompanhado por milhões de espectadores diariamente. O seu nome está nos bares, nos escritórios, nas ruas, em muitos textos como o meu... A alma da pequena Isabela ainda não teve tempo para descansar. E quem descansará enquanto não houver punição?




Ingrid Dragone

16 abril, 2008

Recomendo - parte 5

* Pizzaria Gato Xadrez (Parque Costa Azul).

* Chopp de Vinho.

* Salmão grelhado com molho de maracujá do restaurante Barbacoa.

* A guloseima Raffaello by Ferrero.

* Sanduíche de Frango Teriaki da Subway.

* Chá gelado de limão da Nestea.

* Seriado Prison Break.

10 abril, 2008

Salvador está doente


A violência em Salvador está pior do que eu imaginava. Aliás, está pior do que todo mundo pensa. Vejo muitas pessoas criticando os meios de comunicação, “cheios de sangue e crimes”, mas afirmo que eles não refletem um quinto das denúncias que nós, os jornalistas, recebemos diariamente. Trabalho na redação de uma emissora de grande porte e atendo incontáveis ligações de pessoas, dos mais diversos pontos da cidade, avisando sobre corpos abandonados, tiroteios e assaltos, gente sendo assassinada por nada, a toda hora.


Ingênuo é aquele que se deleita com os cartões postais, acreditando ainda que em alguma rua, bairro ou avenida é possível andar tranqüilo. A capital baiana padece de uma doença muito grave e a cura está muito longe de ser encontrada. O poder público não pode ter controle sobre tanta miséria. Como diz um tio meu: “Às vezes estamos na sala da nossa casa e não sabemos o que ocorre na cozinha”. E, obviamente, o desvio de verbas do dinheiro público, nosso dinheiro, pelos políticos tem relação direta com o caos que se instalou na cidade.


Sei que não estou contando uma novidade. Só preciso desabafar, falar do meu espanto, de o quanto vivemos sem noção do que acontece. A pior parte da história toda é que a visão que a sociedade tem disso tudo vai sendo banalizada. Um corpo sem identificação, largado numa escada, num matagal, num rio, é apenas mais um corpo e vira pauta para os jornais.




Ingrid Dragone

08 abril, 2008

Baixinha com Orgulho


Em 1954 a baiana Martha Rocha teria perdido o título de Miss Universo por causa de duas insignificantes polegadas a mais nos quadris. Essa é uma lamentável história de medidas sem importância, assim como a minha mais recente descoberta. Estive fazendo exames de rotina na semana passada e soube que há muitos anos estive enganada quanto à minha altura. Tenho 1,57 m, e não 1,58 m. Baixinha com atestado médico e tudo!E daí? Em nada isso me incomoda ou atrapalha. Muito pelo contrário.

Baixinhas podem namorar baixos e altos (estes dizem que baixinhas são portáteis, podem ser levadas no colo, nos ombros, nas costas). Baixinhas podem abusar do salto alto, pois, de modo geral, não ficam maiores que os homens. Eu, particularmente, uso porque acho mais elegante/bonito e não por qualquer complexo. Baixinhas que dançam, como eu, sempre ficam na frente das coreografias e são facilmente carregadas por seus parceiros. Baixinhas, muitas vezes, são mais femininas. Baixinhas escapam facilmente de locais apertados. Baixinhas ganham apelidos carinhosos como “minha pequena” (o meu, por acaso).

Definitivamente eu gosto de ser baixinha. Que venerem o estereótipo da mulher alta, ditado pelo mundo das celebridades e da moda... Não tenho e nunca tive problemas com a minha estatura. Por que altura tem de ser sinônimo de beleza? Meu único problema é ter de mandar fazer a bainha das calças.

Ingrid Dragone

01 abril, 2008

Sem hashi

* Matéria que escrevi para a revista Bahia Chef (março/abril)




A culinária japonesa vem conquistando cada vez mais espaço na preferência dos baianos. Leve, saudável e nutritiva, a especialidade agrada ao paladar e atrai pelo visual harmônico dos ingredientes. Além disso, apreciar esse tipo de comida é render-se a pequenos rituais, que levam a uma degustação mais apurada dos alimentos. Mas se o admirador da comida japonesa é alguém em busca de praticidade e rapidez, o temaki é a sua opção no menu.


Trata-se de um sushi maior, em forma de cone, comido com as mãos. Nas receitas “autênticas”, é envolto em folha de nori (alga desidratada), tem recheio de gohan (arroz para sushi), especiarias, e algum tipo de peixe cru, a exemplo de atum e salmão. E enquanto comer devagar pode ser considerada uma das principais dicas quando o assunto é um prato japonês, no caso do temaki a sugestão não se aplica. O seu consumo deve ser imediato, para que a folha que o envolve ainda esteja crocante e rígida o suficiente para segurar o recheio - após cerca de cinco minutos a alga começa a ficar umedecida pelo contato com o arroz.


Todo esse despojamento faz do temaki uma espécie de fast food da cozinha nipônica. Tradicionalmente preparado em casa por famílias japonesas, tornou-se uma febre nas grandes e agitadas cidades do mundo. E como qualquer mania gastronômica de caráter cosmopolita, a iguaria vem sendo reinventada.


Os cardápios das temakerias dispõem dos mais variados sabores, recheios salgados e doces, para todos os gostos. Camarão, polvo, enguia defumada, anchova negra grelhada, tomate seco, e até morango e brigadeiro são algumas das propostas.


Para o sushiman Adelson Satiro, há nove anos no restaurante Aice Zushi, apresentar novidades aos clientes é sempre importante. Pensando nisso, criou um tipo de temaki ao trocar a folha de nori pela massa harumaki (feita de água, sal e farinha de trigo), normalmente usada para fazer rolinhos e pastéis das culinárias japonesa e chinesa. “Frita ou maçaricada, ela fica interessante no temaki porque é bem crocante, guardando com mais firmeza o recheio, que preferencialmente pode ser de salmão grelhado ou shimeji (espécie de cogumelo japonês)”, explica.


E para estimular nos leitores da revista Bahia Chef a vontade de experimentar um delicioso cone de sushi, Adelson indica umas das receitas de sucesso da casa: temaki de salmão e ovas de massago.




Temaki de salmão e ovas de massago

Ingredientes do temaki

(para um cone)

1/2 folha de nori

100 gramas de arroz para sushi (previamente cozido e *temperado)

100 gramas de salmão cru

5 gramas de cream cheese

1 colher de café de ovas de massago

Cebolinha


Modo de preparo

Faça primeiro o recheio. Corte o salmão em cubinhos. Junte-o à cebolinha picada, ao cream cheese e às ovas, fazendo uma espécie de patê, amassado com as mãos. Reserve. Pegue ½ folha de nori. A parte fosca receberá o recheio. Segure-a na palma da mão no sentido do comprimento. Coloque o arroz no meio da alga. Distribua-o uniformemente. Coloque o recheio em cima do arroz, na diagonal. Enrole a folha como um cone, no formato de um cascalho de sorvete. Pronto. Sirva imediatamente com molho shoyu.


* Tempero do arroz

(para 100 gramas)

1 xícara de vinagre de arroz
50 gramas de açúcar

20 ml de sakê de cozinha

1 pitada de sal

1 pitada de ajinomoto


Modo de preparo

Cozinhe o arroz apenas com água. Junte os ingredientes do tempero em um recipiente e aqueça-os até ferver. Depois tempere o arroz cozido.




Ingrid Dragone