13 março, 2008

Festas Fake


Às vezes, devido à profissão, preciso freqüentar festas fake, ou seja, festas em que “imagem é tudo”. Nesses ambientes, definitivamente, as pessoas não pensam em diversão. O objetivo é fazer “um social”, mostrando o quanto podem pagar por um carro, uma roupa, bolsa ou jóia de grife.


Cada grupo de convidados em sua mesa. Risos contidos. Colares reluzentes. Gravatas importadas e impecavelmente colocadas sobre ternos alinhadíssimos. E não sei pra quê tanto perfume... Aliás, talvez a dose tenha de ser um tanto exagerada, afinal, ninguém se encosta e, assim, o cheiro da frangrância francesa é sentindo à distância.


É... As pessoas praticamente não se falam. Os cumprimentos são gelados... Aqueles dois beijinhos de sempre nem acontecem com o encostar dos rostos, simplesmente acontecem no ar, acompanhados de um "oi querida". E os tapinhas nas costas? Servem mais para que os anéis sejam exibidos do que para realmente manifestar alegria pela presença do outro.


E também fico me perguntando... Por que ninguém come? Comer não deve ser chique... Pois os garçons passam com as bandejas cheias e voltam... com as bandejas cheias!!! Ah! Ninguém dança. Lógico. Não deve ser chique dançar. Nem digo que seja para que os penteados não se desmanchem. É tanto laquê que nem um tsunami derruba os topetes e as contorcidas arrumações finalizadas com enfeites de strass.


É bem verdade que não tenho nada contra um black tie, muito pelo contrário. Contudo, sei que chique mesmo é saber que festa é para festejar. Parece óbvio, mas muita gente esqueceu disso faz tempo. Lamentável. Não há nada mais chato do que ter todas as possibilidades para uma grande celebração e estar entre manequins de vitrine.




Ingrid Dragone

2 comentários:

Celso Rosa disse...

Em Àfrica sinto-me sempre muito mais perto da realidade. Na Europa, como na maioria do chamado "primeiro mundo" sou sempre bombardeado com uma multiplicidade de necessidades que me querem à força incutir e, imagine-se, conseguem. Temos, quer concordemos ou não, de nos "mascarar" e representar charadas que por muito chatas e idiotas que possam ser são as que nos identificam como membros "válidos e perfeitamente integrados" da sociedade em que vivemos. Na Europa sinto-me seguro, mas também me sinto adormecido e meio embriagado. Em África sei que tudo pode acontecer a qualquer momento, mas ao menos sinto o que é estar vivo.
Vou passando Ingrid.

INGRID DRAGONE disse...

É... a vida é mesmo assim.