13 fevereiro, 2008

Pulso Leve

“A rotina diária nos dá a falsa sensação de segurança”. Essa foi uma das constatações mais interessantes que ouvi ultimamente... Vamos de casa para o trabalho, para o mercado, para um curso e voltamos. Achamos que nada vai nos acontecer. O percurso é o mesmo. O horário é o mesmo. A forma de deslocamento é a mesma. Não estamos preparados para o inesperado, e ele pode estar na esquina de todos os dias, aguardando o nosso próximo passo, uma distração.


Claro que não podemos viver na paranóia, até porque pensamento negativo atrai acontecimentos negativos, mas temos mesmo que acreditar: Deus é a força que nos protege. Não há mais nada além disso. Nas ruas estamos expostos, somos frágeis. Na hora de sair, rezar e ter mais atenção. Quem olha por nós? Há milhares de pessoas nas avenidas, nos passeios, nos edifícios. Cada um cuidando da sua bolsa, da sua carteira, da sua vida. Qualquer pessoa pode ser vítima.


Recentemente fui assaltada na porta de casa. Poucas semanas depois estava num mercado grande da cidade, quando vi uma mulher desesperada alegando o roubo do seu carro ao funcionário do estabelecimento. Ela estacionou o veículo para fazer compras e em menos de meia hora encontrou a vaga vazia. Antes, ali, havia um bem, algo que ela comprou e que tinha uma razão e uma história, algo que era dela, propriedade particular. Aquela senhora saiu para comprar cebolas e voltaria para casa com um problema, uma grande dor de cabeça. Ninguém viu, ninguém fez nada, ninguém foi pego. Até então, para ela, aquele era um dia comum, uma folha do calendário.


Calendário. O passar das horas. Horas... Desde que roubaram o relógio mais caro que eu tinha meu pulso anda leve. Não estou sentindo vontade de usar qualquer um deles. Eu fico pensando: não devemos usar o relógio para evitar o prejuízo, ou devemos usar para o ladrão ter o que levar em troca de não nos machucar?


Lamentável. Criamos um mundo difícil de se viver. A liberdade é uma ilusão. Grades, cadeados, portões, câmeras, guaritas, alarmes, seguros, seguranças armados, cão de guarda, pega-ladrão, vidros blindados, vidros nos muros, cercas elétricas, correntes... Uma parafernália para proteger o homem de outro homem! Oremos! Sempre! Que a demanda de Deus é grande...




Ingrid Dragone

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