26 fevereiro, 2008

Fim do Mundo


Noite alta e serena. Grilos ao fundo. Terra parada. Paradona. Na rede gasta pelo tempo, o matuto. Na cadeira já bamba, o amigo.


- Ô Pedro!

- Vai dizeno...

- Cê num tem medo desse mundo acabá não?

- Passô.

- E a bíblia?

- Caducô.

- Como assim home? O padre tamém falou!

- Pecô.

- Cê é ateu?

- Ferrô...

- Tá com preguiça de prosá, é?

- Acertô.

- Já vou entrá. A resposta não tá rendeno...

- Demorô.

- Arre! Que home descompreendido!

- Piorô...


O amigo aborrecido, sem mais a dizer, jogou uma das mãos para trás num gesto de quem desiste. E quando o som da sua alpercata ia longe, Pedro desatou sozinho:


- Home-espinho miserávi. Vê o cabra na rede, pensano na vida, todo sartisfeitu nesse balançá bom, e vem com história de mundo se acabá. Que se acabe. E que vá junto com essa palavra besta. Eu acho é mermo que o mundo já se foi. Os home tá tudo no inferno e ainda num percebero... E há de havê coisa mais chata que uma criatura de Deus que escolhe a meia-noite pra falá disso? E ainda quano vê o amigo na rede, acabado do dia de enxada e sol nos miolo?


Pedro puxa o chapéu frouxo de palha para cima dos olhos cansados, pensando no cobrir do sono. O sonho vai chegando, mas vagarosamente ele sente a rede se abrindo, com ruídos de um rasgo chato que termina com o seu traseiro encostando no chão de terra molhada.


- Arre!!! Agora é que se acaba o mundo! Sem essa rede num resta mais é nada! Mundo do cão! Que se esvazie que nem puêra! E nem tem dinheiro pra comprá outra rede esse mês... E nem tem água agora pra lavá a bunda! Fim do mundo! Desgrama! Fim do mundo!



Ingrid Dragone

25 fevereiro, 2008

3º Motivo do Beijo


Tua boca de pétala

Furta-me a alma

Sem cuidado

Sem calma,

Tua boca, meu carma

E farei por fim um poema

De pétala na pétala




Ingrid Dragone

22 fevereiro, 2008

Mágica


Mágica

Doce mágica

Inacreditável mágica

Corpos combinados

Passos, olhos, mãos, sentidos...

A música

Passos, palavras, sorrisos, sentidos...

A música

Corpos sempre combinados

Irretocáveis gestos

Irretocável sinergia

Mágica

Beijo

Paixão

Inevitável...




Ingrid Dragone

14 fevereiro, 2008

Valentine’s Day!!!


Hoje o dia dos namorados é comemorado em vários países. Eu, que sou uma romântica assumida, não poderia deixar passar essa!!! Então, venho falar das tantas coisas maravilhosas que um namoro feliz proporciona!!!


É muito bom namorar porque:


  1. Você tem para quem ligar durante a madrugada.

  1. Você tem alguém não só para passear e conversar, mas para ficar abraçadinho e andar de mãos dadas.

  1. Você tem com quem dançar na hora em aquela música linda tocar.

  1. Você vai criar juntamente com ele (a) pequenos códigos e apelidos carinhosos que só vocês entendem. E com isso vão se divertir muito.

  1. Você estará de bom humor com mais freqüência.

  1. Você tem com quem fazer as pazes (e depois sempre vem muito chamego, ou seja, a melhor parte).

  1. Você vai gastar seu dinheiro, mas sem pena! Porque vai querer agradar com presentinhos e surpresas. E a recompensa normalmente é fantástica!

  1. Você pode descobrir que a família dele (a) também te acha muito legal, e aí estará ganhando mais uma família.

  1. Você tem para quem dizer todas aquelas coisas melosas e boas de se dizer.

  1. Você tem alguém que torna o "dvd com pipoca" o programa mais incrível do mundo!

  1. Você tem motivação para estar cada vez melhor – em todos os aspectos.

  1. Você sente saudade, mas a saudade boa de ser sentida.

  1. Você tem alguém para compartilhar os seus desejos, alegrias, planos e angústias.

  1. Você não vai sentir solidão. Mesmo que não possa ver o seu par com a freqüência que gostaria, sabe que tem ele (a) estará pensando em você com carinho.

  1. Você pode estar com cara amassada de sono e ele (a) vai te adorar do mesmo jeito.

  1. Você vai ter sempre do que se lembrar e ficar sonhando e rindo sozinho (a).

  1. Enfim, você sempre vai achar a vida muito mais bonita!!!






Ingrid Dragone

13 fevereiro, 2008

Pulso Leve

“A rotina diária nos dá a falsa sensação de segurança”. Essa foi uma das constatações mais interessantes que ouvi ultimamente... Vamos de casa para o trabalho, para o mercado, para um curso e voltamos. Achamos que nada vai nos acontecer. O percurso é o mesmo. O horário é o mesmo. A forma de deslocamento é a mesma. Não estamos preparados para o inesperado, e ele pode estar na esquina de todos os dias, aguardando o nosso próximo passo, uma distração.


Claro que não podemos viver na paranóia, até porque pensamento negativo atrai acontecimentos negativos, mas temos mesmo que acreditar: Deus é a força que nos protege. Não há mais nada além disso. Nas ruas estamos expostos, somos frágeis. Na hora de sair, rezar e ter mais atenção. Quem olha por nós? Há milhares de pessoas nas avenidas, nos passeios, nos edifícios. Cada um cuidando da sua bolsa, da sua carteira, da sua vida. Qualquer pessoa pode ser vítima.


Recentemente fui assaltada na porta de casa. Poucas semanas depois estava num mercado grande da cidade, quando vi uma mulher desesperada alegando o roubo do seu carro ao funcionário do estabelecimento. Ela estacionou o veículo para fazer compras e em menos de meia hora encontrou a vaga vazia. Antes, ali, havia um bem, algo que ela comprou e que tinha uma razão e uma história, algo que era dela, propriedade particular. Aquela senhora saiu para comprar cebolas e voltaria para casa com um problema, uma grande dor de cabeça. Ninguém viu, ninguém fez nada, ninguém foi pego. Até então, para ela, aquele era um dia comum, uma folha do calendário.


Calendário. O passar das horas. Horas... Desde que roubaram o relógio mais caro que eu tinha meu pulso anda leve. Não estou sentindo vontade de usar qualquer um deles. Eu fico pensando: não devemos usar o relógio para evitar o prejuízo, ou devemos usar para o ladrão ter o que levar em troca de não nos machucar?


Lamentável. Criamos um mundo difícil de se viver. A liberdade é uma ilusão. Grades, cadeados, portões, câmeras, guaritas, alarmes, seguros, seguranças armados, cão de guarda, pega-ladrão, vidros blindados, vidros nos muros, cercas elétricas, correntes... Uma parafernália para proteger o homem de outro homem! Oremos! Sempre! Que a demanda de Deus é grande...




Ingrid Dragone

12 fevereiro, 2008

O dionisíaco e o apolíneo no processo de construção da poesia




Nenhum poeta deve se autodenominar dionisíaco ou apolíneo. O processo criador acopla as duas porções: o irracional e o racional; o possesso e o artífice; o devir-louco e a perfeição. Cada poeta pode, sim, ser mais inclinado para uma dessas metades, mas estar completamente ou somente inserido em um dos extremos é impossível.


O poeta que se considera dionisíaco, defende incontestavelmente a existência da inspiração como um poder externo, uma força surgida de um momento de êxtase, que o obriga a escrever de maneira inevitável. Entende-se, assim, que o texto chega pronto e o poeta apenas exerce a função de passá-lo para o papel, como se fosse um mero instrumento de um poder revelador.


Este mito do poeta possesso, possuidor de um dom divino, considerado um ser especial, um ser de aura, vem se extinguindo. Sabe-se que o ato de escrever não abarca somente um “trabalho quase mediúnico”, fruto do subconsciente, talvez. Há ainda a parte mais objetiva – as pilastras da poesia –, o momento em que o autor escolhe as palavras ideais, corta o que é sobra, estuda as rimas, a forma...


Aceita-se a existência de um impulso lançando o contorno, o esboço, uma idéia de poesia, e também o fato de que determinados lugares e horas causam mais inspiração para aquele que escreve. Contudo, não se pode deixar de reconhecer o trabalho “braçal” da criação, no qual o acabamento é buscado. Este último passo é a porção apolínea, a qual faz do poeta um arquiteto das palavras, um escultor dedicado, um ourives, preocupado com os detalhes e a métrica, com a parte mais concreta da obra: a estética.


O talento para escrever deve ser conseqüência de uma sensibilidade. Quem escreve poesias tem a capacidade de captar o mundo e sabe depois, através da sua inteligência, transformá-lo em imagens e combinações de palavras exatas, insubstituíveis.


Freud explica que o talento para escrever é conseqüência de um trauma, relacionando a arte com a loucura. Será que o poeta não é o mais lúcido dos seres? Já Fernando Pessoa diz que “o poeta é um fingidor”, podendo assumir outras personalidades e expressar sentimentos que na verdade não sente. Será que não sente?




Por Ingrid Dragone

11 fevereiro, 2008

Peixinho



Peixinho faz glub para mim,

O imitei na frente do espelho,

Um bico puxado nas laterais,

Seus espasmos e beijos sem som,

E pensando bem

Bom peixinho fui

Na época do ventre,

E agora me dá um medão

Esse mar de gente e troços

Chamado cidade...





Ingrid Dragone

07 fevereiro, 2008

Coisas simples e boas...



Dormir e acordar com um sentimento profundo de paz e felicidade.


Encontrar sempre um belo café da manhã, almoço ou jantar à espera. E o melhor: à mesa, somente pessoas boas, de bom coração, de boa energia.


Tomar banho de piscina. A água quentinha. O coração também.


Tomar banho de rio. Sentir a correnteza forte nos ombros, nas costas. E rir do desequilíbrio causado pelo limo ao longo do caminho.


Comer a fruta tirada do pé. Manga, umbu doce...


Andar pelas ruas de mãos dadas, sem nada temer.


Ir à praça para comer pastel e tomar sorvete.


Aprender a atirar. E acertar! De primeira! Descobrir que a prática é muito boa, desde que seja em latas e tocos de madeira.


Fazer churrasco no sítio. Ver as estrelas no céu do sítio.


Curtir um bate-papo na área externa da casa.


Rede.


Almofada no chão, salada de fruta (com leite em pó) e filme bom.


Fazer roda de violão. Cantar e dançar. Lembrar de músicas antigas.


Beber uma roska e rir muito, muito, muito, mesmo com tão pouca, quase inexistente, quantia de álcool.


Cochilar à tarde. Aquele sono de quem aproveitou bem o dia.


Receber carinho e atenção. E por tudo isso ser imensamente grata.


Voltar para a capital com vontade de ficar mais...


Esse foi o meu carnaval... Coisas simples e boas da vida...





Ingrid Dragone

01 fevereiro, 2008

Recomendo – parte 3


  • A revista Bahia Chef – especializada em gastronomia.
  • A maniçoba do bar e restaurante A Venda. O local é bem simples, mas a satisfação é garantida.
  • A música Name (Goo Goo Dolls).
  • As empadas de palmito e de mousse de limão do Empada Brasil.
  • Aulas de marketing com o professor Gustavo Araújo.
  • Show de jazz no MAM – Solar do Unhão.
  • Para os românticos/apaixonados: o filme Ps: eu te amo.
  • Suco de morango do Beach Stop (Salvador Shopping).