29 janeiro, 2008

Definitivamente Resiliente!


A vida é repleta de adversidades. Acontecimentos inesperados... Não há muito o que fazer, por exemplo, quando apontam uma arma em sua direção e te arrancam alguns bens. Fui vítima de um assalto no último sábado. Na porta do meu prédio, às 17h40min. Naquele momento eu era, apenas, mais uma pessoa engrossando os índices de violência das grandes cidades.

Dois homens surgiram. Simplesmente surgiram. Não se sabe de onde. É surreal! No início a ficha não cai. Mas esses caras são realmente bons quando o assunto é fazer pressão psicológica. Logo você percebe que está numa cilada. Eu tremia, mas mantive uma aparente calma. Não gritei. Nem esbocei movimentos bruscos. Entreguei sem resistência tudo o que quiseram, embora tenha pedido duas vezes que deixassem meus documentos. Em vão...

Saí do carro, olhando para trás, temendo o tiro. A sensação é muito ruim. Você é um nada. Um ser totalmente vulnerável. Sem forças. Sem qualquer poder. E assim, em uma tarde muito bonita de sol, vi o carro onde eu estava – com minha bolsa, relógio, celular e objetos de valor sentimental - indo embora, sei lá para que lado. Impotência. A fragilidade da minha existência confirmada da forma mais banal e pelas mãos de dois elementos desconhecidos, encorajados por um revólver, que eu nem sei se realmente continha balas. Não ia pagar para ver...

Tinha platéia. E ninguém podia ter ajudado. Pronto! Assaltada! Não veio a lágrima, mas a consciência, de fato. Era a hora de agir. Subi para providenciar o cancelamento dos cartões de crédito e do número do telefone móvel. O carro, felizmente, está no seguro. Fui prestar queixa na delegacia. Havia mais duas pessoas esperando para registrar ocorrências do mesmo tipo. Ali eu vi, de perto, o tratamento que nós, cidadãos, recebemos. Parece que somos os ladrões...

E depois de tudo isso? Depois do grande susto? Resiliência é o segredo. Sou definitivamente resiliente! Resiliência? Um princípio da física: a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido uma pressão”. A palavra é também aplicada na caracterização de pessoas como eu.

Primeiro lamentei. Depois veio raiva. Trabalhamos para comprar nossas coisas, pagamos impostos, e vem um miserável desse e tira tudo assim... E pronto... passou... agradeci a Deus por não ter sido machucada e nem levada para um lugar qualquer. Sou assim. Defino por quanto tempo vou querer alimentar um sentimento. Então, canalizo minha emoção para outras ações. No outro dia saí de casa só, tomei sorvete e fiz um passeio no parque. Estava mais atenta, lógico...

Na segunda-feira resolvi questões de ordem prática. Pesquisei o aparelho que a operadora de telefonia vai me oferecer. Tirei novos documentos – a Bahia é o único Estado que não libera o pagamento de segunda via com a apresentação do boletim de ocorrência. E é isso... Na minha mesa de computador descansa o bem que ficou para contar a história daquele sábado. Os meus óculos escuros. Estavam na minha mão. Os assaltantes não viram. Foram salvos! Minha pele também! E a vida continua.

Ingrid Dragone

4 comentários:

Saulo disse...

péssima experiência, excelente texto. Sucesso! Saulo Santana.

Anônimo disse...

Bjss
Luiz

INGRID DRAGONE disse...

Saulo, obrigada por sempre valorizar o meu trabalho. Bj.

INGRID DRAGONE disse...

Luiz, você lê uma bomba dessas e me manda beijos? rs.