21 dezembro, 2007

Revista Bahia Chef


Nesta quinta-feira, dia 20, foi lançada em Salvador a revista Bahia Chef, especializada em gastronomia. O evento de lançamento realizou-se no restaurante Amado e contou com a presença de jornalistas, profissionais da área gastronômica e empresários.

Faço parte da equipe de reportagem e posso dizer, embora seja suspeita, que o trabalho está muito bonito: conceito e projeto gráfico.

Confiram a entrevista que eu fiz para essa primeira edição.


“Cozinhar é como fazer música”


Luiz Caldas é natural de Feira de Santana, Bahia. Teve os primeiros contatos com instrumentos musicais na infância. Cresceu assim, acompanhado da música, tornando-se conhecedor de muitos ritmos e hábil tocador, principalmente de violão. Baseado em toda essa experiência, criou um estilo musical e coreografias. Fez sucesso em todo País com o que pode ser considerado o início da Axé Music. Durante alguns anos, esteve afastado da mídia, embora nunca tenha ficado longe dos palcos. Há três anos, juntamente com a retomada da carreira musical, adotou uma nova filosofia de vida. É praticante de yoga e naturalista. Em uma conversa descontraída com a equipe de reportagem da Revista Chef, o artista fala sobre essas mudanças e alimentação saudável.


Por Ingrid Dragone


Revista Chefe - Desde quando você é naturalista?

Luiz Caldas - Há três anos. Depois do swásthya yoga passei a ter mais calma, mais paciência, equilíbrio. Foi uma mudança geral. Hoje, eu durmo e levanto sabendo que nenhum animal precisou morrer para que eu me alimentasse. E eu me alimento bem.


RC - Por que você resolveu ser naturalista?

LC - Parei de comer carne, primeiro, pelos ásanas (posições do yoga). Cada uma requer força e equilíbrio e sentia, pelo menos psicologicamente, que a minha alimentação não fazia bem para isso. O segundo motivo veio da conscientização sobre a morte dos animais. O homem não nasceu para ser carnívoro. Isso é uma cultura colocada. Se você não consegue caçar, não tem dentes e nem garras, para conseguir determinado alimento é porque ele não é a sua comida. Se você der uma fruta e uma carne para uma criança, ela escolhe comer a fruta. Vi documentários sobre os maus tratos a animais, o que também pesou bastante na minha decisão.


RC - Parar de comer carne foi difícil?

LC - No começo, tentando purificar meu organismo, comia legumes e carne branca. Depois pensei: carne branca é carne. Parei sem neura. A carne, em si, não tem gosto. Os temperos dão o gosto. O cheiro da carne já não me atrai em nada. Vejo que posso comer outras coisas. Sempre fui muito de mudanças radicais. Quando resolvo parar, paro total. Foi a mesma coisa com o cigarro. Digo que Deus me deu essa força.


RC - Quais mudanças você notou em seu corpo, em sua vida, tornando-se naturalista?

LC - As primeiras mudanças ocorreram na concentração e no estado de leveza corporal. Quando você come menos, vive mais e melhor. Antes, nos shows, sentia como se estivesse carregando outra pessoa. Agora, cantar e tocar é tranqüilo. Além de mudar a alimentação, com os exercícios de respiração já corro 15 quilômetros sem me esforçar e passar mal.


RC - Existe uma alimentação especial para os dias de show?

LC - Tomo um pouco de água gelada antes e cerveja sem álcool depois. Como frutas, saladas, um sanduíche preparado em casa, um suco, um queijo branco. Tem gente que quer mudar os hábitos alimentares e procura coisas difíceis para se adaptar. Eu não. Só não como carne. Ainda consumo ovo e leite, mas vou parar.


RC - Você tem um programa de alimentação?

LC – Tomo água quando acordo. Logo depois, um suco. O sono me alimenta legal e não tenho horário para comer. Como quando tenho fome. A fome está ligada ao cérebro. A comida é remédio. Ela te cura ou te mata. Você não precisa ficar cheio. Esse é um falso prazer que a mente nos dá.


RC – Você diz que a comida é remédio...

LCChamamos de veneno o que nos mata rapidamente. E de alimento o que nos mata a longo prazo. Com uma alimentação saudável, bem balanceada, você já está cumprindo o papel dos médicos. Só precisa ter um clínico geral para dizer se está tudo normal. Hambúrguer, por exemplo, é resto de gado, com o que as indústrias criam uma carne. O processo é feio e no final você vê a comida naquela embalagem bonita.


RC - Você prepara seus próprios alimentos?

LC - Adoro cozinhar. Minha preocupação também é com o visual do prato. Você começa a comer pelos olhos. Sou vidrado em comida colorida. E gosto de experimentar, da mistura. A maior parte das experiências dá certo, e todas são comestíveis. Na época das vacas magras eu criava farofas interessantes. Cozinhar é como fazer música. Tem o cara que sabe dois acordes e faz músicas belíssimas. E tem aquele que faz conhecendo profundamente.


RC - A música é um grande prazer na sua vida. A comida também é?

LC - Não trato alimento como algo especial. O alimento é como a música. É uma questão de harmonia. Tenho prazer em comer, mas não é um prazer orgástico. Como chocolate, salgadinho, tudo. Minha restrição é com carne, drogas e álcool.


RC - Você tem preferência por alguma culinária?

LC - A cozinha indiana é interessante porque não tem muita carne. Conheci muitos pratos nos livros. Pelos ingredientes você vê se é receita é boa. Você também pode colocar ou tirar um ingrediente e mudar o sabor. Eu diminuo o sal ao máximo. Quando comecei a praticar yoga comecei a ler sobre alimentos. Muitos dizem que não é bom misturar, por exemplo, alho com cebola, e nem tomar líquidos enquanto se come.


RC – Recentemente você foi convidado por uma pizzaria conhecida de Salvador para criar uma pizza que levaria o seu nome no cardápio. Como foi a experiência?

LCAntes eu pensei e fiz uma em casa. Depois o pizzaiolo fez lá na pizzaria e eu acompanhei o processo, experimentando e aprovando. A pizza tem uma massa fina e leva palmito, champion, e pouquíssimo requeijão, o mais esfarinhado possível.


RC – Para acompanhar uma pizza ou qualquer outro prato, qual a melhor música?

LCA tranqüila, de elevador. Música baixa, pano de fundo, para que você possa conversar. Todo tipo de música é boa. Depende do momento. Claro que há a preferência, o que não quer dizer que uma é melhor que a outra. Existe o olhar do bom gosto e o olhar acadêmico. Há músicas simples com melodias lindas. Há músicas que são como uma mansão em cima de palafitas.




Nos bastidores.

2 comentários:

Luiz disse...

Adoreeeeeiiiii....sou fanzaço de Luiz Caldas e agora ainda ainda mais fã de vc!! hehehe
Tô sempre lendo....as vezes deixo comentario, as vezes n......mas pode deixar que ando lendo seus textos apaixonates e interessantes....
bjss
Luiz

Vania disse...

Oi Ingrid,

Que bom que vc faz parte da equipe da Revista Chef. Estou ansiosa para ver, pedi a Fabio pra guardar um exemplar pra mim. Soube que voou... Muito Bom, PARABéNS.

Bjos de sua colega,

Vania Silva.