28 dezembro, 2007

Novo ano, velhos pedidos...

Então, reveillon... E a gente veste branco. Come lentilha. Pula sete ondinhas. Faz contagem regressiva. Agradece por tudo de bom, e pede mais saúde, paz, um novo ou grande amor, e dinheiro, claro!

É tempo de esvaziar gavetas e compartimentos da casa, do escritório, da cabeça. Jogar fora aqueles recibos, notas fiscais, comprovantes. Rasgar bilhetes, antigos pensamentos... Doar roupas, sapatos, devolver coisinhas emprestadas... Comprar agenda, e começar a enchê-la (inaugurando a caneta que ganhamos de presente no Natal) com os próximos compromissos. E estes já correm as páginas até mais ou menos o meio do ano.

Engraçado, como diz a letra de uma música “... nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu, tá tudo assim, tão diferente”. Toda vez que o mundo faz aniversário, pensamos novo, e o ciclo do tempo continua, inabalável... Sem importar-se com calendários, relógios e seus ponteiros metódicos.

Não há uma barreira entre o ano que foi, e o ano que é. Não há um muro de concreto entre dezembro e janeiro. Criamos a determinação do tempo, e nos prendemos a ela. Acabamos por conceber a vida assim, como um conjunto de períodos estanques. Então, a cada virada de ano pensamos em mudanças, pequenas e grandes revoluções e atitudes. Planos, sonhos, projetos, desejos começam a fervilhar. Mudança de um dígito, mudança de vida?

Mais um ano, e a gente quer sentir que tudo pode acontecer de outra forma. Deve ser porque o homem tem complexo de fênix, necessidade de renascer, de transformar-se para melhor. Talvez queira ter a sensação de que é dono do seu próprio destino, arquitetando dias seguintes e modificações. Ou simplesmente necessite de ritos de passagem para achar que está evoluindo, crescendo, ultrapassando fases...

Mas se pensarmos... Novo ano, velhos pedidos! As mesmas vontades de felicidade, antigos desejos em outras roupagens. Desde que me percebo, as pessoas desejam sempre as coisas de sempre... Novas palavras sobre velhos temas. Queremos coisas boas, apenas as desejamos de maneiras diferentes. A verdade é que, o romper de um tempo e o surgir de outro, desperta asas, espadas e corações em cada um.

Os próximos doze meses se engatilham. E apesar de todo ensaio, toda pauta, ainda com toda a força humana que temos para tornar nossos ideais uma realidade, é inevitável: com olhos-súplica, nos voltamos para o céu (mesmo os mais valentes!) e entregamos tudo, uma encomenda preciosa, às mãos divinas pensando “seja o que Deus quiser!”.


Ingrid Dragone


2 comentários:

Laila Yamazaki disse...

Gostei muito do texto. Me lembrou o pema de Drummond. Mas esse ano eu tenho desejos novos, minha vida mudou tanto que o que mais tenho são novos desejos.
Feliz ano novo!
Bjs

Amanda Dragone disse...

Lindo irmã! ^^

Sendo novo ano ou não...
Tudo de bom pra você, muito e muito sucesso, se é que precisa de mais! =P