14 dezembro, 2007

Coração Atento


Tantos “nãos”... E, às vezes, o coração está na infância. E quer chorar. E sofre. Os “nãos” descem ásperos. Dilaceram o que construímos: uma imagem, uma vontade. É a porta se fechando. Os braços que não se movem para afagar a nossa angústia. É como esperar por um carro que nunca surge. Olhamos para a rua, que se alonga muito, até sumir, e nada acontece. Ninguém toca em nosso ombro. Nem para um “vai dar tudo certo”.

Temos sede de mundo, de conquistas. As pessoas não podem ou não querem compreender. Assim, devemos estar sempre acompanhados de nós mesmos. E só. E deve ser assim. Esse é o ensinamento diário.

O ser humano aprende que deve dividir, ajudar, amar ao próximo como a si mesmo. Mas a coletividade é um caminho inevitável para a troca, para que o íntimo de cada um tenha uma resposta, a sua satisfação. Por isso é frustrante viver a espera. Pensar que alguém vai lembrar de nós, quando mais necessitamos da lembrança.

Tantos “nãos”... O coração deve estar atento! Mais triste do que ver a porta se fechar, e experimentar os braços egoístas, é não enxergar o carro que desponta naquela rua deserta. Aquele, justamente aquele, guiado por alguém que gostaria de viver um sonho como o nosso.

Ingrid Dragone

3 comentários:

Anônimo disse...

é interessante e feliz como os seus textos nos faz pensar sobre coisas que no cotidiano estamos acostumados a esquecer....
Apesar dos tantos "nãos"...eu ainda acredito tanto no amor de infancia, de adolescencia, de juventude, como tambem naquele amor escondido na rua deserta....
Temos que acreditar linda...abraços egoistas nos fazem parecer com o mundo de hj...
bjssss..
Luiz

Amanda Dragone disse...

Lindo. :~

Luisa Maria disse...

Belo texto. Ás vezes é tudo muito frustrante, mas há que se ter esperança, caso contrário fica bem difícil respirar...
Bjs!
Luisa