04 dezembro, 2007

Conversar? O que é isso?


Em mil novecentos e nem me lembro mais, dançar era pré-requisito. Se o cara não soubesse ou, pelo menos, não se arriscasse, nada feito: ficava sem a mocinha. Bailes eram a sensação. Roupas novas. Cabelos alinhados. Existia uma mágica... Dois passos. Uma palavra. Muitos passos. Algumas histórias para contar. Naqueles momentos especiais os jovens tinham a oportunidade de conhecer alguém interessante, para viver algo além de uns minutos de diversão.

Hoje? Dançar? A sensação de tocar na mão? Do rosto colado? O romantismo está caducando. E conversar? Tornou-se mesmo coisa do passado. As pessoas não lêem. Não têm argumentos nem informação. Então, a conquista não acontece pelo o que elas podem oferecer às outras de mais profundo e humano. O ato da conquista é o de mover-se para tirar algo do outro. Um beijo. Fugacidade...

Nas noites das grandes cidades é fato corriqueiro: os homens aproximam-se cheios de mãos. “Laçam” por trás. Puxam pelos cabelos. Beijam sem perguntar o nome. E não vamos aqui inocentar as mulheres. Agora, a maioria só pensa em silicone, na chapinha, e em estar fashion. Além disso, acredita que a conquista do espaço feminino no mercado de trabalho, nas relações sociais e no poder dá à mulher o mesmo direito de grande parte dos homens: o direito de ser canalha e manter relacionamentos descartáveis, supersuperficiais (isso não é um erro de digitação!).

O lance é chamar as amigas para a “balada”, providenciar um “look” com muito brilho, curtir funk, tomar Red Bull. E só. O problema é esse: a restrição. E assim caminha a humanidade... Com a idéia de que estão aproveitando a vida, homens “pegam”, e mulheres se deixam “pegar”. E vice-versa.

Está socialmente estabelecido. Desejo acima de tudo e compromisso zero. Educação zero. Bom senso zero. Auto-estima zero. Juízo zero. Conhecimento zero. A soma é fácil. No final, o que resta? Nadinha. Um vazio que não é preenchido com outras festas, outros beijos, outros parceiros, outros nada-a-dizer.

Por que gostar de se divertir e curtir o momento é sinônimo de não ter conteúdo? Por que gostar de se divertir é não gostar de ninguém? E, às vezes, não se gostar? Carpe diem, sim! Fazer brindes à instituição do “ser raso” já é demais...



Ingrid Dragone


3 comentários:

Roberto Camara Jr. disse...

Aaahhh...
Bons tempos aqueles dos bailinhos no Play Ground...
De precisar se levantar, atravessar o salão de festas com todos olhando, olhar firme nos olhos DAQUELA garota enquanto tenta controlar a tremedeira nas pernas, pedir licença às amigas da escolhida e convidar - la para dançar...
Alegria melhor do que essa, era quando a música mudava para uma lenta e ela concordava em continuar dançando contigo......

Caramba... se eu continuar aqui vai deixar de ser um comentário e se transformará em um Post!!!
Quer saber, até que não é uma má idéia....
Preciso dizer algo mais!?
Seu Blog (você) me inspirou...
Elogio melhor...
Bjo,

Anônimo disse...

Também lembrei das festinhas de garagem... Quando rolava a tal lentinha, era líquido e certo: os casais iam se formar, não tinha escapatória (rsrsrs). Não vou nem falar quais eram os hits do momento, pra não lembrar que tou ficando véia.

Pena que hoje não tem mais isso, a juventude tá perdendo esses momentos deliciosos e inocentes de contato humano, de olho-no-olho, como vc disse. Agora é só farra, álcool, drogas... tudo pra fingir felicidade e não se envolver. Uma pena.
bjs!
Luisa

TD disse...

Se hoje alguem for conversar com outra pensando em conquista-la... Tsi tsi tsi... Sem chances, é capaz de ser chamado de lerdo, Tio, ou alguma coisa parecida... Quem não sabe dançar e também passa carnaval em branco, é uma secura só.... (meu caso) Huhahuauhauhauhuhauhaua