03 dezembro, 2007

Ataque Mortal


Eram trinta bailarinas. Ensaio cansativo para o musical de dezembro. Marcação dos lugares exatos na coreografia. Marcação de braço e cabeça em frente aos espelhos. Tudo para sincronizar, para obter a perfeição do grupo, dos passos. Em meio a tanta concentração, de repente, surge na sala de dança um enorme, horripilante, e inacreditável dragão.

Ele entra pela janela e alça vôos rasantes. As bailarinas desesperam-se, começam a gritar e correm para um dos cantos do ambiente, ao lado do piano. E o dragão ganha a cena. Desloca-se de um lado para o outro, dono da situação, assustando, matando de medo.

E quando tantos berros de agonia já parecem ter acabado com o importante ensaio, uma das bailarinas revolta-se e tenta resolver o problema-de-asas. Pega os pares de sapatilhas espalhados pelo chão e passa a atirá-los em direção ao aterrorizante monstro. As colegas surpreendem-se com tamanha coragem. Tanto pela admiração, quanto pela comodidade, fazem torcida para que o ataque seja mortal, incentivando: “Muito bem! É isso aí”.

Depois de inúmeras tentativas, a bailarina corajosa está muito cansada e vê que seu esforço é em vão. O dragão não fez o mínimo movimento. Preso ao teto, alheio ao som das músicas, aos gritos, ao ataque das sapatilhas voadoras.

Metade do corpo de baile já havia fugido desesperada da sala de dança. Muitas por pavor, simplesmente. Outras, com a intenção de pedir ajuda a um homem. Após cerca de vinte minutos, finalmente um dos atores da companhia aparece no recinto. Ele abre a porta com energia, atrai todos os olhares, e veste o personagem do herói. As bailarinas ficam saltitantes, sorriem esperançosas, e clamam o seu nome entusiasmadíssimas. O ator coloca-se em pose de poder. Com uma escada de alumínio embaixo do braço, estufa o peito e esbraveja. “Meninas, não se preocupem! Irei salvá-las!”.

Vai ao centro da sala. Posiciona a escada. Sobe os degraus com passos firmes, fazendo barulho. Todas olham com muita expectativa. Bom ator, ele monta uma cara de “problema-solucionado”, ajeita as mangas, e dispara um líquido fatal nas costas do monstro. “Basta!!! Ser indigno, barata medonha!”.


Ingrid Dragone

Um comentário:

Amanda Dragone disse...

Ai meu Deus, que frescas...
Só podiam ser bailarinas! =P