06 dezembro, 2007

As Mesmas Notícias


Apesar do bombardeio de notícias que chegam todos os dias às redações, os jornais têm fechado as suas pautas com os mesmos assuntos frequentemente. Impressos de regiões com culturas distintas costumam trazer matérias bem parecidas. O fenômeno pode ser explicado por dois fatores: o trabalho das assessorias de imprensa, juntamente com as estruturas enxutas das empresas jornalísticas; e a concorrência desenfreada, orientada por questões econômicas.

As redações contratam um número mínimo de profissionais e exigem alta produtividade. Sem o tempo necessário para apurar os acontecimentos, muitos jornalistas utilizam os press-releases enviados por assessorias de imprensa, alterando nada ou quase nada naqueles materiais. Assim, multiplicam-se as notícias padronizadas e sem criatividade nos meios de comunicação. Se a lógica da indústria de notícias segue a máxima de que “tempo é dinheiro”, já não importa mesmo a similaridade.

Além disso, assim como quaisquer empresas, as jornalísticas também defendem seus interesses econômicos. Vivem sob pressão. Seguindo as regras de administração comuns a corporações de outros ramos, não querem despender mais recursos para a formação de equipes maiores, o que facilitaria a produção de matérias diferenciadas, com o foco na região em que esses meios atuam. E não dá para fugir: notícia é produto! Tem de vender. Os jornais não podem perder leitores (leia-se consumidores), patrocínios, anunciantes. Dessa maneira, sem muitos profissionais e tendo a missão de permanência no mercado, acabam por noticiar o assunto que estampa a capa do concorrente. Aquela velha história: “Só tem tu, vai tu mesmo”.

Então, hoje, critérios importantes de noticiabilidade, como relevância dos fatos e interesse público, nem sempre são priorizados na hora de selecionar o que deve ser publicado. Muitos jornais não levam em consideração os acontecimentos que influenciam diretamente a vida do leitor local, e dão destaque às notícias ligadas aos grandes centros de poder, como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Será que o nordestino desempregado tem mais interesse no assalto ocorrido no bairro nobre da cidade maravilhosa, ou no aumento da cesta básica no Estado onde vive?


Ingrid Dragone


Um comentário:

Rick disse...

Interessante...
Também vejo assim. Nas redações, poucos são os inovadores de notícias...Muita gente acomodada...
E olha que sou assessor de imprensa!