17 dezembro, 2007

As Latas


Inerte. De mãos apertadas. Estava sendo acusada de ter jogado todas as latas no lixo.

- Não havia mais nada! Só agora se deu conta? – perguntou Nailin.

E continuou a receber a reclamação. Afinal, na casa, só moravam duas.

- Como assim? Encomendei uma dúzia delas! Não faz um mês! – esbravejou Falandra.

Nailin já perdia a paciência. Sentada com os braços cruzados, respirou fundo, deu com os olhos para cima, enquanto ainda ouvia.

- Além das latas, o que mais você jogou fora, hein?

- Nada, Falandra, nada...

- Onde está o calendário?

- Você deu ao mago.

- E o meu caldeirão de estimação?

- Estourou no seu último feitiço.

- Está variando? Quebrei o meu caldeirão?

- Foi sim. E também se desfez da capa roxa, da varinha vinda da Terra de Naz, e deu os cinco primeiros volumes da coleção de bruxaria para iniciantes.

- Como pode mentir dessa maneira?

Nailin levantou-se enérgica. Saiu batendo a porta. E Falandra enchia as paredes com suas queixas.

No jardim, pensativa, Nailin encontrou um dos seus vizinhos.

- O que houve?

- É a Falandra... Está procurando um monte de coisas, e não acha, e reclama. Coitada! – disse balançando a cabeça, lamentando imensamente. Depois dos seus estudos na Terra de Naz... Ficaram seqüelas. Agora está aí, desesperada, procurando pelos seus pertences, principalmente pelas latas.

- Por quais latas?

- Aquelas que você me aconselhou a comprar para ela, as de memória em conserva.


Ingrid Dragone

2 comentários:

Luisa Maria disse...

Pois é, nada em conserva presta...rsrs
Gostei dos nomes das meninas.
Bjs!

Amanda Dragone disse...

Ahhhh, ADOREEEEI!