13 dezembro, 2007

Amor de Guerra


Hoje, viver um amor pode ser como viver um amor de guerra. O seu par existe, mas está na batalha, na rude batalha do dia-a-dia. Você não vê a pessoa amada, o bravo soldado, que de forma destemida luta pela vitória sobre o inexorável inimigo: o tempo.

Seu sentimento vai ficando doído demais. A saudade implacável é tudo que ronda o seu pensamento em quase todos os minutos. Insólita saudade. Ninguém, em todo o mundo, sofre a dor que você sofre.

Horas passam. Dias passam. Semanas passam. O amor torna-se incorpóreo. A distância só não se instala completamente porque há algum contato pela internet ou telefone. Algo semelhante às cartas trocadas entre os combatentes e as donzelas esperançosas em época de grandes guerras.

Horas passam. Dias passam. Semanas passam. A saudade vai sendo transformada. Abranda-se. A paixão assenta. Algo em você desacelera. O par, na batalha, sente imenso amor, mas vive sem possibilidades reais de toque, presença.

Então, a bússola interna avisa que você pode seguir outras rotas. O pensamento em você te faz querer conhecer o que está além das margens sinalizadas pelo relacionamento que se esvai. Você pensa na injustiça da sua solidão. E chega à conclusão de que viver apaixonado por uma saudade é muito cruel.

Você é instigado por uma certeza. A da transitoriedade das coisas. Já não quer a ilusão, porque viver a pele e a palavra de carinho é uma necessidade vital, fisiológica, até.

Um dia, a batalha cessa. O guerreiro se prepara para voltar, carente de paz. Carrega no peito a honra de ter sobrevivido, embora esteja ferido, triste, cansado. Vai precisar de alguém que não tenha muito a dizer, mas carinho de sobra para confortar. E quando retorna, percebe que você já não tem os mesmos planos.

Nova história será escrita. Movida por uma realidade cada vez mais comum... Se conflitos bélicos têm o poder de destruir sonhos, os conflitos cotidianos conseguem ser ainda mais eficazes nisso: selam uma distância inaceitável, separando pessoas que moram na mesma cidade, em bairros próximos.



Ingrid Dragone


3 comentários:

TD disse...

Infelizmente tenho que concordar... Perfeito o texto. Será que não vou conseguir falar mal de nenhum texto seu é?

Amanda Dragone disse...

Pshiiii! =x

Manucca disse...

Lindo amiga

Bjs