19 novembro, 2007

A Paixão


Paixão. Sentimento de caráter patológico. Causador de sintomas devastadores. Arritmia cardíaca, tremores, perda do poder de raciocínio, calor, e cegueira. Sim, cegueira. Ninguém é perfeito, até que a paixão aconteça.


Quando a paixão toma conta, se alastra, faz com que o ser acometido caia de fascínios pelo objeto de desejo. Nesse estágio da doença amorosa, já não importa se o outro se mela todo ao tomar sorvete; se comete erros de português, antes inadmissíveis; se ronca, tem verruga na cara ou pernas tortas; se está suado ou mal vestido.


O apaixonado só beija e idealiza. Ou idealiza e beija. Como se houvesse um estoque limitado de beijos. E que isso ocorra até na madrugada. No dia seguinte ele estará estraçalhado, com olheiras, e será capaz de sentir imensa felicidade, mesmo ao se deparar com a torre de papéis sobre a mesa do escritório. Sua concentração estará abalada. Por não ter dormido o suficiente e porque, certamente, deverá lembrar-se de o quanto foram bons aqueles beijos.


O celular, lógico, estará ao lado. O objeto de desejo poderá ligar ou mandar uma mensagem a qualquer momento. Uma ‘escapulida’ para a internet vale. Encontrar um e-mail de bom dia ou uma palavrinha de ‘ousadia’, daquela em código, que só os apaixonados trocam.


Assim, dia após dia, a paixão é retroalimentada. À medida que o sentimento encontra correspondência, um apego terno vai preenchendo os espaços. Vai cessando a loucura. Vem o cuidado. A tranqüilidade.


Juntamente com essa doce estabilidade, aparecem os defeitos. Os desentendimentos e as cobranças podem vir a fazer parte do pacote. O contexto também passa a interferir. O balanço da empresa. A asma da tia. O carrapato do cachorro. As teias de aranha nas paredes.


As curas são providenciadas: viagens românticas, sexy shop, cursos de massagem, streap tease, culinária afrodisíaca, e presentes inesperados. Se existe a química, o fogo estende os braços e é resgatado. Se o bocejo sobrepõe-se às novidades, o esperto perceberá: a vida está repleta de novas possibilidades. Apaixonantes...


Ingrid Dragone

2 comentários:

Enoque Lopes disse...

São as pequenas coisas que fazem a vida valer à pena.
Quando estamos apaixonados, é sempre primavera num jardim de pequenas coisas.

Anônimo disse...

Isso é bom demais...
E sonhar é bom tb...quem sabe um dia a paixão bate a nossa porta de uma forma mais sutil...rsrrs
Bjs,
Luiz.