03 novembro, 2007

“O rock brasileiro vai bem, obrigado”


No início dos anos 80, o Brasil foi marcado pela abertura política. O cenário artístico voltou-se para o rock nacional, impulsionado pela juventude. Naquele período de renovação cultural, nasceu a banda Paralamas do Sucesso, formada por
Herbert Vianna (guitarra e vocal), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria). O amor pela música os uniu e faz com que, mais de 20 anos depois, o grupo continue tocando nas rádios e suas letras estejam na boca de pessoas de todas as idades. Em entrevista a minha “ilustre” pessoa, o baterista Barone fala sobre carreira, pirataria e fama.

Ingrid - Como é fazer rock num país que, cada vez mais, dá ibope para bandas que exploram a “sensualidade”, a exibição do corpo, e que não primam pelo cuidado com as letras?

Barone - O rock brasileiro nunca apelou muito nesse quesito... Vai bem, obrigado. Tem coisas novas e boas que pintaram recentemente, como Pitty, Cachorro Grande e Los Hermanos.

Ingrid - Qual o segredo para manter o sucesso por tanto tempo? O que mais os surpreende?
Barone - Segredo não tem. A surpresa é nos ver, depois de tanto tempo juntos, ainda com aquela chama inicial, vontade de tocar, fazer shows, fazer música.

Ingrid - O que o acidente sofrido por Herbert significou e significa para a banda?
Barone - Difícil resumir em poucas linhas, mas tentamos superar uma grande tragédia nos segurando onde podíamos: na música.

Ingrid -Como vocês lidam com a distância da família?
Barone - Já foi pior. Hoje, raramente ficamos mais de quatro dias fora de casa. Qualquer coisa, tem internet e telefone para segurar a saudade.

Ingrid - O que há de melhor e pior na fama?
Barone - Fama? Essa da tv e das revistas de fofoca? Não sabemos o que é isso. Mas é um prazer enorme quando alguém que gosta da banda e sabe quem é o Barone e quem é o Bi, vem pedir um autógrafo... É uma satisfação, sempre.


Ingrid - Como é ter trabalho para produzir um disco e depois vê-lo pirateado por aí?
Barone – É Chato. Mas a pirataria está diminuindo. O cenário da comercialização da música está mudando radicalmente, alguma coisa nova vai crescer em cima dos escombros da indústria do disco no Brasil...

Ingrid – Para você, como anda a produção musical no país hoje?
Barone - A produção vai bem, mas a oferta continua escassa, falta mais criatividade e coragem para abrir novas trilhas, para os novos valores atingirem o grande público. Mas será que o grande público quer o novo? Será que tá bom assim? Ninguém tem bola de cristal. Tem que arriscar, apostar e ir em frente.

Ingrid -
Como você avalia a situação política do país? Ainda dá para acreditar nos candidatos?
Barone - Sua resposta está nas letras de Alagados (86), A Novidade (86), Perplexo (88) e porque não dizer, Luis Inácio e Os 300 Picaretas (95), dentre eles, alguns de seus compadres mais chegados... Quem diria?

Um comentário:

Anônimo disse...

Os Paralamas do Sucesso. Nascida numa época de extrema riqueza artística brasileira, a banda fala muito do que queremos dizer e, no decorrer da sua trajetória, nos proporcionou lições de vida e estímulo para continuar lutando.

Numa época onde o banal é cultuado, os Paralamas, com seu conteúdo em arte, continua em nossas bocas e pensamentos, mesmo após décadas de história, não perdendo a capacidade de fazer música para a alma.

Década de 80. Para a economia, uma década perdida; Para a arte, uma safra desigual.

Enoque Lopes