29 novembro, 2007

Mundo Paralelo


Superficialidade. Muitas tarefas. Falta de tempo. Essa combinação é o cartão de visitas na sociedade de hoje. A loucura da modernidade nos faz assim: rasteiros.

Quando o nosso convívio social fica reduzido aos encontros na internet. Quando não há brechas para cuidarmos do nosso bem-estar (físico e psicológico). Quando as pessoas ao redor fazem parte da nossa vida simplesmente porque existem. Quando tudo isso constrói o nosso cotidiano, com certeza, haverá uma lâmpada vermelha nos lembrando: “Cuidado! Você precisa mais de você! Precisa mais das pessoas!”.

Tememos a solidão, mas a cultivamos diariamente. E assim, calamos nossos sentimentos. E muitas vezes já não há mesmo o que dizer, porque existe uma desordem total no mundo, a impossibilidade de compreender, aceitar e explicar, ou porque não temos criado laços verdadeiros de amizade. Antes era mais fácil fazer amigos? O que mudou?

Somos ocupados demais, e vivemos balizados pela tecnologia. A mesma tecnologia que nos aproxima de um cientista do Japão e nos afasta das pessoas que moram em nossa rua. A tecnologia que está aí para agilizar o nosso trabalho, facilitar processos de aprendizagem, trazer mais informações, com velocidade e volume cada vez maiores, é a que também simula um mundo paralelo. E o dia-a-dia de muita gente tem se fechado nisso: quatro paredes, olhos no relógio, e amigos virtuais. O tempo vai passar e elas, lamentavelmente, não poderão contar que estiveram em cinemas, praias, rodas de violão, cafés ou praças.

Que ninguém se engane! Conhecer uma pessoa é conhecer o seu olhar de ternura e o de reprovação. É entender o movimento do seu corpo. As manias. Aquelas perceptíveis nos pequenos momentos. Conhecer sua reação em situações de crise, de risco. Conhecer a sua letra em carta!

É importante estar perto, dar o abraço acompanhando de um “eu te amo”, que assim fica mais aconchegado e crível. Por isso temos sentidos. Por isso nossa pele é sensível ao toque.

Pensar nisso... Dar atenção ao contato pessoal. Ao papo numa casa de chá! Uma companhia agradável e docinhos vão fazer horas saborosas, vividas, e poderão transformar um dia cansativo de trabalho, num dia muito especial. Inesquecível.


Ingrid Dragone

5 comentários:

Amanda Dragone disse...

Uma verdade complexa!



Adorei o texto, acho que esse eu nunca tinha lido!

Luisa Maria disse...

Caramba! É isso aí mesmo! Tou sem palavras... Vc já disse tudo, né?

Esse é pra ficar pra história, muito bom!
Bjs!
Luisa

Luiz disse...

Massa...vou dar mais tempo aos docinhos...rsrsrs
bjs
Luiz

bruno disse...

Que coisa linda, linda, linda.
Como eu me senti bem ao ler
seu texto, Ingrid!
Obrigado por escrever tão bem!
Beijo =]

INGRID DRAGONE disse...

Bruno! Que bom que além de ler, você comenta! Obrigada!!!